A mudança está dentro nós! Muda, Brasil!!!


Não é momento de tripudiar, ao contrário. É hora de entender a necessidade de unirmos as forças e tentarmos fazer um país melhor, nesta próxima gestão presidencial. A vontade da maioria precisa ser entendida e respeitada. O Brasil, em sua diversidade, em suas muitas diferenças e facetas, escolheu, de forma limpa, no voto, nas urnas.

Dilma terá um governo de forte oposição. Primeiro das bancadas de Congresso e Senado, seguido dos que não votaram em Dilma e também, porque não dizer, daqueles que votaram na Dilma, por não querer votar no Aécio (este é meu caso). É hora de fiscalizarmos o governo, como nunca! De cobrarmos promessas e usarmos nossa força (do povo) para mostrar que estamos de olho. Outra eleição, nessas condições, o PT jamais vencerá.

Aécio perdeu a eleição por sua agressividade e, principalmente, caiu em Minas, terra onde dizia ter aprovação de massa. O que não se converteu em votos no primeiro, e nem no segundo turno. A prepotência do tucano, aliado a seus tons de cinismo e deboche, despertou no povão o desejo de defesa do atual modelo e de não dá-lo o poder.

Enfim... existem mil correntes de pensamentos, que podemos elencar. E todas terão sentido. Exceto a tentativa de tirar a legitimidade da vontade popular que, burra ou não, foi imperativa! O Brasil tem o governo que merece. E isso é um elogio!

Mas o que me traz aqui, escrevendo este pensamento, não é uma análise política da conjuntura eleitoral (até porque, de política, eu nada entendo). Mas sim, de uma manobra, cada vez mais utilizada pelas instituições, em busca de mercados nas redes sociais.

Todos conhecem (eu acho) meu posicionamento sobre essas redes. E, a meu ver, ainda não estamos preparados para usá-las. A dinâmica dos relacionamentos cotidianos é bem diferente, da imposta pelos canais sociais, como twitter, facebook, instagram.... Ainda não conseguimos a sintonia fina, no sentido de melhor viver em rede eletrônica.

Bem, dentre as atividades que desenvolvo, sou consultor de comportamento de um grupo de executivos de TI, chamado SocialSkill (SS). Este grupo fechado é parte de um esforço para entender a dinâmica acelerada da vida virtual...

Bem...

Segundo estudos de desenvolvedores desta organização (grupo fechado e independente de estudos), e através da aplicação de ferramentas específicas, focadas e especializadas na medição do comportamento das redes sociais, mediu-se a preferência dos usuários das redes, na ordem de 75%, em favor do candidato Aécio, através de postagens, comentários espontâneos, nas paginas de mídia, usando hashtags (#) pró candidatura tucana.

Após um trabalho intenso de rastreamento das postagens dos principais veículos de comunicação do país (O Globo, Grupo Folha, Grupo Abril, Carta Capital e alguns outros), chegou-se à conclusão que havia repetição, em sequência de comentários e interações... e após uma avaliação profunda, foi detectado que cerca de 50 mil contas de facebook foram criadas (perfis falsos, fakes) para apoiar Aécio, e dar uma falsa impressão e sensação de massante superioridade e preferência, induzindo a outros a os seguirem.

Ou seja, 50 mil fakes derramados em sequência nas redes, criados para bombardear as redes, via mídia, com indução ao voto no tucano. Havia uma sensação de enorme superioridade do Aécio na preferência nacional, pela Internet.

Aécio estava eleito, segundo as redes sociais e, com isso, muitos perfis verdadeiros acompanharam a "tendência". A princípio, até o momento cerca de 7.200 perfis falsos monitorados já foram retirados do facebook, após o resultado das urnas. Eles desapareceram. Amanhã teremos mais dados sobre o volume total estimado, fechando a conta.

Já houve queda proporcional de curtidores dos principais veículos de mídia mencionados. Isso leva a um pensamento de tentativa de manipulação eletrônica do desejo das pessoas.

Este tipo de coisa já é feita, com alguma regularidade.

Sérgio Cabral, nos momentos de alta depressão de popularidade, Rodrigo Maia, na eleição para Prefeito do Rio... Também algumas empresas, por conta de lançamento de produtos. Apesar de ilegal, é uma prática feita mais e mais, a cada dia.

A SS detectou a súbita adesão a um volume estrondoso de perfis aos veículos de mídia, com unidade de discurso pró Aécio, gerando um desequilíbrio e falsa sensação de seus entusiastas e indecisos... e gerando um choque, em comparação à opinião geral do povo brasileiro (que não acessa ou se manifesta em redes sociais), que se refletiu nas urnas.

Isso mostra que as redes sociais ainda são usadas como álibis por partidos políticos, e empresas, para manipular a informação, assim como subverter o desejo das pessoas, com seus perfis verdadeiros, pelos fakes, espalhados por aí e influenciando desejos de consumo e decisões de negócios.

A nossa personalidade "Maria vai com as outras" (comportamento inconsciente) quase custou uma eleição presidencial, já que a diferença de votos absolutos, foi de pouco mais de 3 milhões de votos, num universo de mais de 140 milhões de eleitores.

Sempre sou e serei crítico ao comportamento das pessoas nas redes sociais. Acho que somos muito frágeis e volúveis, sendo presas fáceis num mundo de profundos interesses.

Pesquisemos, pensamos bem antes de decisões por impulso (ou pela maioria). Em toda a rede, boa parte é falsa. Muita coisa é manipulada. Comentários fofos e curtidas (likes) não podem ser referenciais para nossa tomada de decisão no mundo físico.

Aos poucos, vamos nos tornando reféns das redes (muitas vezes, sem saber ou dar conta). E este tema, muito mais do que um tópico político, é um alerta a quem se entrega às redes sociais, achando que está amparado pela opinião geral... e afastando o medo de não ser aceito em grupos, por discordar e pensar diferente.

Não há provas, não há documentação visível. Há um conceito e muito trabalho. As coisas nas redes são de um dinamismo incontrolável, mas deixam rastros e, com um pouco de foco, atenção e cuidado, você nota as coisas.... E isso faz todo sentido.

Que bom que a estratégia dos fakes não deu certo. Que bom que o desejo real se sobrepôs ao crime e devaneio virtual. E, pessoalmente, para minha opinião, que bom que o Aécio não venceu este pleito.

Falando agora de política, agora é hora de nos unirmos para cobrar um Brasil mais justo, menos permissivo e mais austero. É hora de arrumar, profundamente, a casa. E que dias melhores venham!

Aproveitando o ensejo, quero registrar uma coisa: Me entristece, de verdade, ver tanta gente má e preconceituosa, diante dos resultados das urnas, neste domingo... Mas eu acredito que este ódio ferrenho ao nordeste, seja algo de momento. Pois, essa garotada que prega até a divisão do Brasil, logo esquecerá isso.

Vem aí o Carnaval e essa turminha burguesa, que anda de carro importado e come arroz com ovo, vai se esbaldar nas terras e praias nordestinas, assim que o verão e as férias começarem... e nem vão lembrar do ódio e do nojo que dizem sentir das pessoas de lá, nesses momentos seguintes à derrota de seu candidato.

Como estamos ficando pequenos... e pobres!

Por Clauss Beato.

A cristalização dos corações


"É lastimável...
Nunca antes, na história deste país, na jovem democracia, tivemos uma discussão política tão acalorada, intensa e apaixonada, às vésperas de uma eleição presidencial. Nunca fomos tão aguerridos, tão militantes... onde defendemos 'nossa opinião' com tanto fervor..
Mas, ao mesmo tempo (engraçado e, até paradoxalmente), nunca fomos tão vazios, bizarros, intransigentes, estúpidos, desinformados e egoístas, na busca por esta defesa, quase insana."

Realmente, as redes sociais, a cada dia, sob todos os aspectos e assuntos, me mostram que o mundo parte, no fundo, para uma guerra de pequenos egos inflados, com micro-batalhas entre pessoas (ou seus arremedos) que buscam aliados, para agrupar-se, diante da montanha de informações... Pessoas solitárias em busca de visibilidade, fortalecimento, como se gritassem: 'socorro, me tire desta solidão corrosiva!'". Tudo virou motivo de de embate, de medição de forças.

Neste mundo solitário, onde propaga-se o amor, acima de qualquer coisa (amor próprio, ao próximo, à natureza, aos bichos), onde se propaga o desapego, o culto ao corpo, à boa alimentação... quanto mais nos dividimos, mais nos fundimos, como se fôssemos parte de um muro, como se fôssemos tijolos, compondo uma construção, empilhados, sem cimento, sem a liga. Qualquer vento nos derruba. Quanto mais parecemos fortes, mais fracos ficamos. E somos!

E o mais curioso de tudo é que, quanto mais nos informamos, menos sabemos das coisas. Quanto mais informados, menos cultos ficamos... quanto mais lemos, mais desaprendemos, quanto mais gritamos, menos somos ouvidos e, por fim, quanto mais 'amigos', mais solitários somos. Aos poucos, consolida-se este conceito contraditório e muito triste.


Sou, e sempre serei um crítico ao 'novo mundo', com comportamentos, acima de tudo, egoístas, pouco generosos (ou nada generosos). Impera, neste mundo atual, o make up, o bom espelho, a aparência. Você diz o que pensa, mas apenas para satisfazer um grupo, marcar posição... mesmo que o que pensa, de verdade, seja antagônico ao que diz. Nunca, o coração e a boca foram tão separados.

Neste mundo de falsa ostentação, casa do consumismo irracional, pessoas querem seu lugar ao sol e buscam aceitação pelo que possuem. Vivem a informar aos 'amigos' aquilo que possuem, o que conquistaram, para onde foram e até o que comeram no almoço.

Neste mundo de toques cada vez mais interesseiros, corações não se reconhecem mais. Os olhares mudaram de foco e os gostos, os desejos foram substituídos por uma fome intensa, de não se sabe o que.

Hoje, neste mundo, quanto menos nos gostamos (de nossa cara, nosso peso, nosso emprego, nossa vida) mais queremos dizer o contrário. E começamos esta mentira deslavada, mentindo a nós mesmos.

Nossa vida virou uma estante de porta-retratos falsos, daquilo que esquecemos que somos (ou fomos). Nunca fomos tão vazios, interesseiros e perversos. E a primeira (e maior) de todas as nossas vítimas, somos nós mesmos!

Acordem. Pensem na mudança a partir do coração de cada um. Olhemos para nós mesmos, para o que nos transformamos e comparemos ao que fomos, quanto éramos felizes, solidários. A autopropaganda nos desintegra, a cada dia.

Você não é o que posta, o que compartilha. Este seu eu é uma mentira deslavada, é seu grito mudo, de socorro. É sua tentativa desesperada de ser visto, acompanhado. É a falsa sensação de ser cuidado, amparado.

Realmente, viver em rede social (e porque não dizer, em sociedade) está cada vez mais insalubre, onde sorrisos artificiais, tapinha nas costas e falsos amigos estão por toda parte. E a escala sobe, a cada dia. A cada novo dia, uma decepção... até que nos anestesiamos, diante dos dissabores, do fel e da amargura.

Passamos a refletir o que nosso corpo e mente consomem... e mais vazios vamos ficamos. Estamos dispostos a tudo para mantermos a última palavra, a voz mais alta e nossa aparente força. Caso contrário, qualquer pequena divergência, seja lá em que assunto for, pode fazer desmoronar o muro que nos protege, a casa que nos abriga. 

As amizades que cultivamos a vida toda, no mundo offline, agora se desfazem, num simples sopro, uma mera discordância. Tudo se quebra por nada.


Estamos nos cristalizando, mas eu não me refiro ao cristal, valoroso, banhado de beleza, suavidade. Somos o cristal nascido da lágrima, do secar e enrijecer do sangue. Este cristal de nada serve, é o resultado de nosso empobrecimento que, ao quebrar, vira poeira e não deixa marca no mundo... que pode ser varrido em pequenos golpes, para a lata de lixo mais próxima.

Caminhamos numa estrada que nos levará a nosso próprio fim.
O bom senso morreu, faz tempo.
R.i.P.

A um palmo do nariz


Nesses tempos de amor e ódio entre as pessoas, às vésperas das eleições presidenciais, venho percebendo o grau de agressividade e profunda intolerância entre as pessoas.

Na minha visão, o que até virou um lugar comum, diante de tanta militância, discussões fervorosas, intransigência, alta sensibilidade e enorme preconceitos, as pessoas nunca estiveram tão sozinhas e sem muito  para fazer, já que dedicam seus preciosos tempos a questões sem aparente solução.

Hoje, vivemos a era do "marcar posição". As pessoas tem suas opiniões, fruto ou não de seus ideais (pois há a modinha) e não estão nada dispostas a mudar de opinião... mas querem, porque querem fazer o outro mudar.

Haja solidão para bancar tanta energia desperdiçada.

As pessoas, de forma geral, sozinhas como nunca estiveram, vivem a vida a caçar a felicidade, mesmo que seja a unha, na marra. Vivem batendo em seus peitos, berrando que se amam e, tanto amor dedicado a si mesmo é amor nenhum (ou muito pouco) dedicado aos outros...

A felicidade não é algo que se busca, ou se corre atrás. Ela está por toda parte. Não devemos procurá-la. Descobri, na prática, que basta fazermos nossa parte no mundo: sermos honestos, gentis, trabalhadores... que a felicidade nos encontra.

Devemos cuidar bem daqueles que precisam de nós, usar o coração... na vida, no trabalho, no amor...


E, nesses tempos de tanta solidão, da verdadeira zumbilândia do amor, aliados aos tempos de grande violência urbana e alta tecnologia, vemos criar (e crescer exponencialmente) o cenário perfeito para a proliferação dos aplicativos... principalmente, aqueles que te dão a possibilidade de encontrar um amor, ou sua metade, ou mesmo uma paquera, para te fazer companhia.

Imagine uma balada. Por mais que você seja interessante, atraente e popular, não consegue conversar com o volume de pessoas que acha nas tais redes, nos apps do amor. Numa noite silenciosa, em plena segunda-feira, você pode conversar com números surpreendentes de pessoas (mulheres ou homens)... e, a cada nova conversa, toda aquela ladainha, tendo que dizer, de onde você é, quantos filhos tem, o que busca... e por aí vai...

Ao mesmo tempo que é chato, é viciante e, sem perceber, você começa a ficar escravo desta 'nova' forma de paquerar. Conheço gente que passou a usar seu referencial de popularidade de acordo com os tipos de fotos que posta e das respostas e comentários que recebe...

Acaba sendo chato. Tudo está mudando... comportamento, reações e até objetivos...

Sabe... chega uma hora que fica chato se descrever... falar daquelas qualidades que todos parecem ter... Ser normal virou diferencial. Ser romântico virou brega, e gentil, passou a ser sinônimo de otário. Sinceridade demais é grosseria e a verdade virou apenas um ponto de vista.

Imagina só... Não quero passar pela vida me descrevendo e tentando dizer às pessoas quem eu sou, ou como sou... quero me deixar conhecer, inteiro. Mas, para me deixar, preciso gostar. Caso não goste, a conversa nem começa... e isso tornou as coisas extremamente dinâmicas e, consequentemente, superficiais.

A pior coisa que se pode fazer num ambiente como este, é gerar expectativa em alguém, apenas por ser gentil, educado. Assim como existe homem sem noção, tem muita mulher sem um pingo de discernimento.

A solidão está transformando as pessoas em cheques sem fundos. Muitos dão o que não tem... e prometem o que nunca viram na vida, em troca de um pouco de esperança. 

Quando a conexão acontece, a maioria das pessoas parece não mais querer o que valorizo muito, que é o que eu chamo de "bate-bola", se deixar rolar, levar, trocar. Parece que querem, somente, obter. Querem entrar na jogada para ganhar, de preferencia, com lucro rápido. E com pouco investimento, querem dar pouco de si. Tá difícil...

A paciência de uma amizade já não mais existe. Imagina para um amor?

Este é mais um daqueles aplicativos, onde você se põe numa vitrine, e as pessoas passam os olhos, em busca de encontrar as respostas que sempre buscam. Mas que, dificilmente encontrarão, já que não sabem as perguntas... ou o que que querem,  de verdade.

As pessoas que parecem ver as outras, da mesma forma que olham árvores, numa estrada, num carro em alta velocidade. E, dificilmente encontrarão frutos, não verão e nem encontrarão raízes fortes, folhas brilhantes.

E se, por acaso, encontrarem algo que suspeite ser frutífero, e ja pronto para consumir, entram logo com suas moto-serras, prontas para ação.

Não quero parecer que estou na gôndola de um supermercado. Não quero ser posto num carrinho, não quero fazer parte de colecionadoras de mensagens, de fãs, de cliques. Quero algo bem mais além do que é superficial.

Vivemos a vida, com corações batendo, quentes, esperançosos. Merecemos bem mais que isso.