Você pode ser acostumar com isso?

Quando decidimos ficar com alguém, nos encantamos com as qualidades... mas é com os defeitos que iremos conviver. Aceita o desafio?


Estava aqui, em mais uma noite longa, de longos pensamentos, sobre as questões que sempre me rondam. Eu gosto de pensar em como as coisas acontecem, como se desenvolvem... é uma forma legal de refletir nossos erros, acertos e formas de agir, de pensar. Eu curto me olhar neste espelho.

Estava conversando com um amigo, ontem a noite e, ele me dizia que conheceu uma nova “possível namorada”. Falava com entusiasmo sobre as qualidades da eleita e mostrava ânimo aos falar de seus atributos (homem adora falar dos atributos).

Enquanto falava das qualidades e coisas boas, ele parecia se divertir. Seus olhos brilhavam, sua voz parecia até mais clara.

Daí, eu perguntei sobre os defeitos da moça, se ele já conhecia alguns deles. Pois, certamente, ela os terá... e a conversa mudou. Ele elencou três ou quatro coisas e mudou até o tom de voz.

Foi quando eu disse a ele que precisaria rever tais conceitos pois, quando ficamos com alguém, é com seus defeitos que nos “harmonizamos”.

Engraçado observar alguém tentando esconder o que considera ser seus defeitos... assim como, também acho a mesma graça naquele que tenta ressaltar suas virtudes e qualidades. O esforço é o mesmo, portanto, com o mesmo peso e demonstrando a mesma coisa: insegurança.

As pessoas são inseguras. Algumas têm enorme dificuldade em se aceitar como são; outras se revoltam com suas manias e vícios, e tentam, a todo tempo, ocultá-las. Outras tem vergonha de suas características, escondem a idade, o peso, a formação. Maquia-se o tempo inteiro, inutilmente.

Uma pessoa, quando conhece outra, ou mesmo quando está com um “perfil de prospecção” em alguns desses sites de namoros, busca vender suas qualidades e pontos positivos.

Ora, você não vê um corretor de imóveis colocando num anuncio que o apartamento à venda, tem goteiras, que o elevador é velho. Vai elencar as qualidades e bombardeá-las nos seus prospects (aquelas pessoas pré-qualificadas, para quem ele deseja vender seu imóvel.

Nas relações humanas é a mesmíssima coisa. A pessoa elenca as melhores fotos, exalta as qualidades mais marcantes (até exagera um pouco). Ninguém diz que tem mau humor de manhã, ou chulé, no fim de um dia de trabalho.

Todos nós somos um enorme repositório de qualidades e defeitos e a magia da vida é saber mesclá-los bem, de forma a vivermos harmoniosamente, consigo mesmos e com os outros.

Harmonizar-se com os defeitos do outro, não é simplesmente aceita-los, ou muito menos, tolerá-los. Os defeitos do outro precisam ser absorvidos e profundamente compreendidos que são absolutamente necessários para o equilíbrio da pessoa humana.

Todos nós somos dotados de lado bom e lado mal, ou escuro, ou sombrio. E os defeitos que possuímos, fazem parte da raiz central do nosso lado obscuro: um defeito na educação, no mapa do amos, na construção do caráter. Em alguma parte, as coisas não deram tão certo e crescemos com esta, digamos, falha.

Algumas falhas são meramente sociais, um desacordo com uma regra qualquer; podem ser uma falha grava dos pais, negligência, enfim... os defeitos nascem por tantas fontes, que dá para escrever uma coleção de livros, sobre cada um deles.

Mas, afinal... o que é um defeito? Penso que seja algo bastante relativo. Pois, o que é defeito, para mim, pode ser indiferente para outro... e, dependendo da coisa, pode até ser qualidade para alguns. Acredite: isso é possível.

Somos um baú de coisas estranhas. Temos segredos, constrangimentos íntimos que fazemos de tudo para escondê-los e não aflorá-los, defendendo nossos segredos, até mesmo, com a própria vida.

Para alguns, reconhecer seus defeitos é viver em sombra, com vergonha de si mesmos. Para outros, não chega a ser um problema.

Numa relação a dois, dificilmente alguém mostra, intencionalmente, seus defeitos (pelo menos aqueles visíveis e mais evidentes). As pessoas acreditam que precisam causar uma imagem positiva no outro. Aí... após um tempo e com a conquista já estabelecida, alguns começam a mostrar a verdadeira face.

Se você souber observar bem, parece que muitos de nós vivem como pequenos robôs, programados para vender as mesmas bobagens, tentando convencer ao outro que somos bons (ou viáveis). É curioso observar o que as pessoas postam, tentando, em desespero mostrar um perfil positivo.

É curioso perceber como as pessoas que se dizem felizes, são muito parecidas. Suas fotos, histórias de vida. Até o reconhecimento dos próprios defeitos é similar. Pergunte àquela garota que você está conhecendo, qual o seu principal defeito... e ela te dirá que é perfeccionista. Aliás, este é o principal “defeito” que as pessoas confessam, de primeira. Também dizem que são exigentes demais consigo mesmas e outras similares, buscando mostrar um perfil batalhador, construtor.

Ninguém diz, num primeiro encontro, que é mentiroso, perdulário, caloteiro, infiel ou curte pornografia na Internet... seria um suicídio amoroso. Mas essas más qualidades acabam surgindo, no decorrer do tempo... e a pessoa, por já estar ligada, de alguma forma, acaba tolerando... em meio a sequências de pequenas (ou grandes) decepções... e isso vai minando a admiração, um dia conquistada.

Sendo clichê, homem gosta de beber com amigos, fumar escondido, curtir filme pornô, cuidar excessivamente do carro, deixar toalha molhada na cama; geralmente mente sobre seu currículo, tenta vender bons desfechos amorosos, bravata sobre suas conquistas, se vitima nas relações anteriores, etc e etc...

As mulheres se preocupam excessivamente com sua aparência... gastam dinheiro escondido com sapatos e bolsas que jamais usarão, deixam calcinhas penduradas no box do banheiro, tem horror de falar de seu passado amoroso ou sexual, vivem se achando gordas e fazendo dietas impossíveis, querem fuxicar a vida do cara para descobrir mentiras, entre outras...

Ambos danças a mesma ciranda, tolos... homens se preocupam em mostrar poder e conteúdo e mulheres, investem na aparência. Pois é assim que os gêneros buscam as primeiras afinidades.

Aliás, a admiração que você busca ter pelo outro, deveria (eu disse, deveria) também ser construída pela coragem do outro em te mostrar seu verdadeiro eu, mostrando que quer te poupar de futuros problemas, já que defeitos são inevitáveis.

Como eu ando dizendo, nos últimos pensamentos, tolerar é a pior das ações, na busca do melhor convívio com o outro. Eu acho que, se vamos entender e aceitar o outro, como é, precisamos mesmo abrir o coração e compreender que tons cinzentos fazem parte do pacote, que vem a pessoa junto.

Quando casamos com alguém, definitivamente, estamos admitindo e nos enlaçando aos defeitos do outro. Pois é com eles que conviveremos, na maioria do tempo juntos.

Ninguém consegue manter uma personagem por muito tempo. Numa hora, a casa cai e as verdadeiras caras são mostradas. Por que não, mostrarmos aos poucos, nossa verdadeira face.

Certa vez, eu fiz isso. Num segundo encontro, eu falei, levemente, sobre alguns defeitos que considero meus. A mulher, duas horas após o encontro, me enviou um torpedo, se dizendo assustada comigo e que preferia ser minha amiga. Eu a mandei pastar! Pois não creio no sucesso de uma amizade assim, baseada na rejeição.

As pessoas são muito bobas, tolas... achando que podem se esconder de si mesmas e ocultar suas falhas, propositalmente. A verdade sobre seus defeitos, parece criar pernas, e persegue a pessoa até que ela os demonstre, por bem, pu por mal. Tentar escondê-los (ou maquiá-los) é uma tentativa infrutífera de ilusão, onde, quanto maior for o tempo de ocultação, maior será o dano, quando tudo desabar.

Alguns defeitos são toleráveis, outros, aceitáveis e alguns, completamente impossíveis de serem engolidos. Mas muitas pessoas acabam se obrigando a conviver com eles, mesmo sem tolerar, entender, aceitar ou engolir, por medo da solidão ou pela preguiça de ter de começar tudo de novo, com um outro alguém.

Entender o caráter inevitável do convívio com os defeitos do outro é o primeiro grande passo para uma boa relação. Afinal, você também possui alguns, que muitas vezes, nem percebe que os tem... e pode precisar que alguém te abrace, mesmo assim.

Alguns defeitos se corrigem com a relação a dois. Outros, melhoram um pouco (ou menos pioram). Alguns, de natureza social, são reversíveis, consertáveis. Outros, impossíveis de mudar.

O fato é que ninguém modifica ninguém. Mas as pessoas se moldam para um encaixe menos traumático e mais aceitável e harmonioso. A tentativa de mudar o defeito X do seu amor é apenas dando a ele uma opção de maquiá-lo, para camuflar de seu olhar. Não tente mudar o outro. É maldade com os dois (o outro é você mesmo!).

Enfim... conhecer e conviver com alguém, é uma tarefa das mais árduas e traçar um bom plano de mostrar-se a ela, sem maiores atritos, é uma arte, que poucos dominam.

Em se tratando de conviver com os defeitos, não se trata de aceita-los, mas sim, fazer a honesta medição se é possível (ou não) se acostumar com eles.

Mas, lembre-se: é muito importante que você compreenda que, uma vez que aceite os defeitos do outro, e resolva conviver com eles, que não os use para jogar na cara, dele(a), a cada novo conflito. Se aceitou, foi por livre e espontânea vontade, usando o famoso e querido, livre arbítrio!

Money for sex? Na dúvida, diga não!

Alguém já te ofereceu dinheiro em troca de sexo? Como você se sentiria se isso acontecesse? E se você fizesse pelo dinheiro, se apaixonasse e descobrisse (ou ouvisse falar) que esta é uma prática antiga do seu amor? Como você se sentiria, à beira do altar, sabendo (ou imaginando) que você não foi a única que vendeu uma noite de sexo a ele?


Volto a escrever sobre a novela Mil e uma noites, exibida pela Band, no horário nobre das 20h.

Engraçado como as tramas televisivas são alimento para debates interessantes. Quantas vezes, escrevi aqui sobre novelas e situações pitorescas, que estamos sujeitos a viver.

Algumas vezes, as novelas são formadoras de opinião e desfechos para certas situações, são copiados pelas pessoas, imitando comportamentos, algumas vezes, pelo que acho dever fazer, e não do que realmente acha certo.

Como você vive a vida? Você vive fazendo o que deve fazer, ou o que acha certo?

Muitas vezes, diante de um dilema, agimos sem pensar, acreditando que o reflexo seja impulso do que é certo fazer. Algumas vezes, ignorando o próprio coração... Noutras vezes, dane-se o senso-comum e fazemos o que nosso coração manda, sendo ou não, julgado pela sociedade ser certo ou errado.

Não vou dizer que uma ou outra é a forma correta de viver e reagir. Ficaria em cima do muro, dizendo o famoso "cada caso é um caso".

Falando da novela, acompanhando a FanPage do folhetim turco, uma questão me chamou muito atenção: os comentários femininos, sobre o casamento das personagens principais, Onur e Sherazade.

Vou explicar:

A novela é baseada na história de amor entre o casal e a história mostra todo desenvolvimento do sentimento entre os dois.

No primeiro capítulo, diante de uma pressão enorme, Sherazade, diante da desesperada necessidade de angariar o dinheiro que iria salvar a vida de seu filho e profundamente decepcionada com a família de seu falecido marido, em recusar dar o dinheiro a ela, recorre ao patrão, e pede emprestada a alta quantia.

O chefão, o poderoso Onur Aksal, decide emprestar o dinheiro. Mas, em troca, ele pede uma noite de sexo com a mulher, como pagamento. E ela, acuada e desesperada, opta por transar com o poderoso e tarado chefe.

Onur, um cara com problemas familiares, que sofreu profunda desilusão familiar, que viu sua mãe sofrer profundamente com o abandono do marido. Cresceu e se transformou num agressivo e arrojado empresário, passando por cima, como um trator dos obstáculos que impediam seu triunfo, em todas as áreas da vida.

Fez inimigos pela vida e teve as mulheres que quis, algumas pelo sentimento, outra(s), por dinheiro.

Após a noite negra (como foi chamada a noite em que a protagonista transou pelo dinheiro que salvou a vida do filho, que sofria de leucemia), Sherazade passou a tratar o chefe friamente e, entre os dois criou-se um climão daqueles, e cada vez que estavam no mesmo ambiente.

Onur, após provar do sexo com a bela arquiteta, apaixonou-se pela moça e passou a lutar pelo seu amor. Esta luta o fez modificar seu comportamento. Ele parece ter revisto seu comportamento misógino e se entregou ao fato de era imperativo respeitar a mulher amada (e todas as mulheres do mundo).

A história se desenvolveu e eles se apaixonaram, com muita insistência do poderoso chefão da Binyapi, holding que é proprietário, sócio do amigo de infância Kerem, que também é apaixonado por Sherazade, mas que não faz ideia da noite negra.

Durante o período de conquista, Onur sempre se mostrou sufocador. Romântico e doce, mas em momentos de discordância, extremamente ciumento, possessivo e até agressivo. Ou seja, ainda se colocando numa posição acima da mulher, mostrando que, talvez, lá no fundo, a mudança seja superficial.

Pois é... ciúme excessivo e possessão são atitudes machistas, e negativas num relacionamento, mostrando autoridade na relação e subjugando a mulher (ou vice-versa, se preferir).

Pois bem... o namoro esquentou e virou noivado. O noivado virou casamento. E o Onur providenciou a coroação de sua redenção, promovendo uma cerimônia belíssima de casamento, transformando sua noiva numa rainha, aos pés do altar onde selariam o matrimônio.

Como toda boa novela, o conflito é algo muito presente e, à beira do altar, um escândalo se abate sobre o casal e vem à tona (verdade ou mentira - ainda não se sabe, com certeza) uma outra proposta financeira por sexo, que Onur teria feito a outra funcionária, e explode num verdadeiro escândalo, na TV.

Ao ver aquilo, Sherazade, que já tinha sido vítima de uma proposta de grana por sexo, não exitou em acreditar na história. Compreensível, já que o Onur já teria feito aquilo antes. A arquiteta, então, resolveu abandonar o casamento e fugir do altar, não querendo ver a cara do Onur, nem pintado de Ouro (que ele tem muito).

Beleza...

Eu sempre exaltei o comportamento da Sherazade, mostrando ser um exemplo de mulher, com dignidade de sobra... mostrando para as mulheres (principalmente as brasileiras) como uma mulher deve conduzir-se, diante do amor.

Não sou antigão e nem antiquado. Mas sempre admirei o jeito durão da moça que, com sua personalidade forte e caráter ilibado, não se curvou ao poder do noivo, o fazendo comer na sua mão.

O motivo deste pensamento é me mostrar abismado em ler os comentários das mulheres (nas redes sociais que acompanham a novela), criticando e detonando a Sherazade. Dizendo, em sua esmagadora maioria, que ela foi cruel em cancelar o casamento. Que o homem é lindo e rico e etc.

Que ela foi burra demais, por largar um homem daqueles... apaixonado, arrependido.

Não quero taxar a mulher brasileira, pelo amor de Deus. Mas ler tantos comentários assim me fazem refletir pelos tantos e tantos momentos, em que a mulher é subjugada por homens que tem dinheiro e poder. E que esses "predicados" fazem muitas mulheres se renderem e se sujeitarem a ter maridos assim, que têm tudo que desejam, por bem ou por mal.

Eu sempre aventei a possibilidade de o Onur ser dispensado pela Sherazade, enquanto tentava conquistá-la. Acho que ele viraria bicho. Pois, definitivamente, a palavra "não", não faz parte de seu vocabulário.

Quem poderá dizer que esta prática (a de pagar para transar) não era uma constante na vida deste (ex)DomJuan?

É óbvio que o amor nos dá o divino direito à redenção. Mas, criticar a posição de uma mulher que não aceita um comportamento misógino, machista, autoritário... e, no mínimo, curioso.

Já vi casos em que homens usam o poder e o dinheiro para atrair e conquistar mulheres... assim como já vi muitos casos em que mulheres usam o corpo e a sedução como arma de "amarrar o cara". Realmente, ser refém de comportamentos assim, principalmente com amor envolvido, é de dar dó.

Sem julgamento, mas tenho minha opinião. Eu tenho pena das pessoas que usam artifícios para conquistas e, mais pena ainda, dos que se rendem aos ardis.

As mulheres reclamam que são maltratadas, chifradas, desrespeitadas e humilhadas por seus homens que traem, batem, abusam, assediam moralmente. A Lei Maria da Penha está aí, para mostrar o quanto... e, comportamento assim, de esquecer o passado de machismo é, imediatista demais, mostrando uma enorme necessidade de se arrumar rápido.

A mulher tem valor demais para se sujeitar à casar com dúvidas ou diante de incertezas capitais, que vão de encontro ao conceito de bom caráter relacional.

Me admirei muito com os comentários e isso me fez refletir sobre o que uma mulher realmente quer...

O problema não é ter um milionário com tesão, por aí, oferecendo dinheiro à mulheres, em troca de sexo. O problema é ver que, cada vez mais mulheres, não estão ligando muito para o conceito e aceitando de bom grado e, pior ainda, ainda querendo um cara desses, em suas vidas.

Teve uma pessoa, no facebook, que até escreveu: "... mas com aquele colar de brilhante no pescoço, com aquela casa de 17.000.00,00 que ele comprou, com aquela festa maravilhosa para mais de 700 convidados que já estavam lá, com aquele bolo enoooooooooormeeeeeeeeee, tudo pago PELO ONUR, porque ela não tinha dindin para nada e, principalmente por todas as vezes que ele correu atrás para provar o amor dele. SINTO MUITO, EU CORRIA, DESLIGAVA A TELEVISÃO, E CASAVA ASSIM MESMO!". Esta, não pode ter do que reclamar...

Sem moralismos idiotas, posso dizer que entendo porque tanta mulher pensa e age assim. Mas estão, quase sempre, comprando uma vida de felicidade rasa e muitas frustrações.

Na dúvida, diga não. Depois, averigue, reflita... Pode até reconsiderar... mas esteja certa que vale à pena viver o amor que se deseja... Pois, poder e dinheiro não podem determinar seu valor. Mas não deixe seu valor se perder em nome de nada!

O deslocamento dos valores e o "nada justifica"...

Nesses tempos posts e hashtags, alta injustiça e impunidade, uma nova ordem se estabelece no nosso pequeno mundo... novos valores também surgem... onde a lei do mais forte nunca esteve tão presente!
Hoje, é cada um por si... e salve-se quem puder!



"Ontem, o que nada justificaria, hoje, talvez, nem tanto..."

Esta semana, num encontro muito interessante e produtivo com profissionais de diversas áreas sociais e humanas, pude perceber que meus pensamentos não são tão absurdos assim e que os pensamentos e teorias que tento articular, até que são deste planeta.

Nesta sessão de conversas, com pessoas muito qualificadas, observei que todos padecem dos mesmos dramas, sendo o maior deles, compreender as inúmeras novas dinâmicas sociais. A cada minuto, parece que o mundo surta mais uma vez e uma nova ordem se estabelece.

Ao mesmo tempo que é compreensível esta transformação (não, necessariamente, evolução), é proporcionalmente assustadora, no que tange às consequências de comportamentos tão extremos.

Em módulo, parece que as pessoas estão enlouquecendo.

Será a quantidade absurda de hormônios, contidas nos alimentos; o excesso de açúcar consumido; a falta de punição, ante as leis escritas; ao declínio do conceito de família, como conhecemos; as sucessivas crises econômicas (e consequente achatamento da renda); à máxima podridão da mídia artística e jornalística (jornais, televisão), ou à igualdade e democratização do acesso à informação, a famosa inclusão digital (Internet)?

A resposta a esta longa (e dolorosa) pergunta é interessante: ou seja, um pouco de cada coisa... e muito de algumas coisas.

Nós, como unidade (povo), não estamos sabendo lidar com tantas coisas ao mesmo tempo. Não estamos nos controlando, tampouco entendendo o que está havendo com o mundo.

"No meu tempo" de garoto, lembro que as pessoas de quarenta anos eram coroas. Realmente eram... pareciam cansadas, desgastadas pela vida. A expectativa de vida era baixa. O Brasil comia merda (ainda come, mas agora, com chantili). Éramos reféns das grandes corporações, não tínhamos opção. Não havia concorrência... Se bem que,.... algo mudou?

Enfim...

O que eu quero dizer, é que as pessoas eram diferentes. A menina de treze anos brincava de bonecas e o menino soltava pipa. Hoje, eles estão nas baladas... as meninas grávidas (ou já mães). Abandonaram os estudos e vivem uma vida insólita, onde o que se mostra é muito mais importante do que se é.

Essas meninas de treze estão mais bonitas que as da mesma idade, há trinta anos atrás. Estão maquiadas, seus corpos mais constituídos. Ao mesmo tempo em que percebemos a evolução, isso assusta um pouco. Pois, apesar do corpo mais "desenvolvido", a cabeça é ainda de uma criança.

Aliás, é sobre esta mentalidade de criança, um dos pilares deste pensamento.

Imagine só: uma pessoa com seus doze, treze anos, ter acesso à informações que nem os adultos capacitados dão conta. Imagine como funciona o racional de alguém em formação, ante a informações pesadas.

O acesso à Internet está destruindo a composição mental das pessoas.

Em 1993, lembro bem, participei de uma seleção de emprego muito acirrada. Eram duas vagas e uns 30 candidatos numa enorme dinâmica (a maior que já vi numa seleção de emprego). E, após todos aqueles sacais joguinhos do pessoal do RH, uma questão foi proposta: eles precisavam de uma resposta única a uma pergunta (estavam testando liderança, argumentação, educação, empostação, oportunismo, coerência, entre tantas e tantas outras habilidades)...

A pergunta era: numa empresa, todas as informações devem ser disseminadas, igualmente, a todos os funcionários?

Blá blá blás à parte, chegou-se à conclusão que não. Óbvio. Os motivos, nem preciso mencionar...

Como definir (e entender) esta cachoeira de "novas ordens mundiais", onde regras são quebradas à velocidade da luz?

Sou um ávido admirador do cotidiano. Nesta fase estranha, ando caminhando pelas ruas e observando as pessoas, principalmente os jovens, onde tento entender este momento e fazer alguma projeção do que virá, por aí.

Antigamente, quando uma criança desrespeitava os pais, era o "canto da chinela" que se ouvia. A criança sabia que se fizesse alguma cagada, tomava porrada dos pais, inteiramente, os responsáveis por ela. Já conheci histórias estranhas, com espancamentos esquisitos. Não estou falando deste tipo de coisa...

O mundo "evoluiu" e foi decretado, através da Lei da Palmada, que bater em uma criança é crime, passível de penalidades aos responsáveis. O canto da chinela se calou.

A impunidade é um dos grandes incentivadores da prática da transgressão. Quando a criança fazia algo errado, sabia que (além do castigo), a chinela iria cantar. E, com esta lei (aparentemente protegendo a criança, ante os estatutos), foi dada a ela (criança) a liberdade de não enxergar consequência nos seus atos errados.

Não sou a favor da porrada nos filhos. Nunca bati do meu filho. Mas esta Lei foi a primeira alforria da impunidade, neste país louco. Para pais sem muitos recursos, a palmada era um bom remédio.

A cada ano, pais mais despreparados são jogados no mundo. Pais mais jovens, mais egoístas. Como podem dar boa educação, se não receberam a metade do que deveriam receber?

As relações entre as pessoas, nos mais diversos universos, estão se deteriorando. Os mecanismos virtuais surgiram para nos distanciar. Ontem, você enviava e-mails, dizendo coisas que não conseguiria falar (verbalizar)... relacionamentos eram desfeitos por e-mail, mais pela falta de coragem de um dos lados dizer olhando nos olhos do outro.

Hoje, os dispositivos de conversas instantâneas tornam a vida das pessoas um verdadeiro inferno, mas sem que percebam. Elas monitoram e são monitoradas todo tempo, fazendo da vida um círculo vicioso alucinante. Hoje, você envia uma mensagem ao namorado às 11h e se ele não visualizou em 30 segundos, ou se não respondeu, após visualizar, vira motivo de briga.

E, em tempos de educação em queda livre, preparo de vida abaixo do solo e os pilares de convivência conhecidos como respeito, consideração, esquecidos; a vida torna-se um caldeirão, onde o conflito é o grande mote das dinâmicas atuais.

Certa vez, disse aqui, que as instituições que regem este nosso mundo precisariam mudar, para acompanhar a velocidade das mudanças. O Direito, por exemplo, para identificar novas formas de transgressão e adaptá-las às leis, reformuladas (ou reescritas) - ou vice versa -... A Psicologia, para determinar novas modalidades de desvios de personalidades, identificar os "novas" formas de transtornos mentais...

Neste novo mundo, parece que somente a medicina evolui, tornando a vida mais prolongável... é claro que, em outras áreas também há evoluções. Mas falo de comportamento e dinâmica de cotidiano.

Falando de engenheira, por exemplo (coisa que nada entendo): para se construir um prédio, são necessários inúmeros cálculos para determinar a segurança e funcionalidade da construção. Os pilares são os responsáveis pela integridade da estrutura, haja o que houver. Com pilares fortes, o prédio não cai (e não pense em terremotos).

Numa sociedade, é a mesma coisa. Para que a convivência entre as pessoas se dê de forma harmônica e pacífica, é importante que sejam definidas leis, ou seja, regras fundamentais, a fim de estabelecer direitos e deveres, além das leis de bom convívio. Aí, entra a educação com força total para reforçar tais princípios, de forma a garantir uma sociedade respeitosa e justa.

Fico pensando...

Será que, com esta loucura que vivemos, esses crimes loucos que nos assolam, esta violência desmedida que presenciamos e esses desmandos que testemunhamos, não estão fazendo esses pilares sociais, mudarem?

Imagine você, aí sentado, com paciência de Jó, lendo este pensamento: será que o respeito ainda é um pilar social? Será que a consideração, o amor ao próximo, a tolerância entre as diferenças ainda estão no topo da lista dos nossos princípios e valores?

Será que os valores sociais estão mudando? Isso sim, dá medo pensar...

Talvez não, oficialmente. Imagine os grandes líderes religiosos pregando outros pilares, imagine os governos admitindo, abertamente a falência da estrutura. O undo seria um rebu! Muito mais do que o que é hoje. Afinal, ainda são esses valores, os oficiais, já que o mundo ainda é comandado pela geração do meu tempo... e as leis estão escritas sobre tais valores.

Vivemos, a cada dia, estarrecidos, por uma notícia pior que a outra. Canso de ouvir as pessoas comentando: "nada mais me surpreende"... É estuprador pra todo lado, meninas mortas de todas as formas, a mídia enaltecendo culturas destrutivas, governos corruptos e enfiados em cocô até a alma...

Ontem a tarde, após uma febre sem fim, resultado de uma infecção intestinal malvada, fui ler as notícias... e li bastante sobre o caso da funkeira Amanda Bueno (Cícera Alves de Sena), integrante da Jaula das Gostozudas, morta pelo recém noivo, o tal Miltinho das Vans, poderoso "empresário" do transporte alternativo, na Baixada Fluminense.

Comecei a ler as fontes e juntar os fatos. E, parece que a história é bem diferente da contada atualmente, nos veículos de comunicação.

Por que eu penso nisso?

Há uns 8 anos atrás, estava no Centro, esperando um amigo, para almoçar e presenciei uma execução, em plena Rua Calógeras. Um cara de moto deu uns dez tiros na cara de um motorista de um carro de cargas, sem roubar nada. Seguranças do banco em frente atiraram no executor, que fugiu na garupa de uma moto, sendo baleado na perna. Eu vi tudo, há uns 20 metros de distância. Parecia filme do Bruce Willis.

O almoço não aconteceu e voltei correndo para a empresa e comecei a acessar a mídia, para entender o que teria acontecido.

Uma hora depois, apareceu a primeira notícia, dando conta que teria havido uma tentativa de assalto a um banco, naquele local. E que uma bala perdida teria matado o motorista.

Continuei a procurar e vi que a notícia se replicou e, em pouco tempo, saíra em todos os outros veículos, informando que realmente tentaram assaltar o banco. Eu presenciei... e vi que aquela foi a mentira mais deslavada que eu presenciara. Naquele dia, eu passei a desconfiar de tudo que lia e via na mídia. E eu gosto de fazer minhas investigações e tirar minhas próprias conclusões...

Sobre o caso da funkeira, não soa estranho este caso?

O cara instala câmeras de segurança num dia, fica noivo no outro e assassina a noiva dias depois, de forma absolutamente cruel, num festival de psicose. Para crimes assim, de extrema violência, chama-se de coquetel de psicoses...

A psicose, por definição, na Psicologia, é um momento de perda de contato com a realidade. E, um bom advogado consegue coisas impossíveis, diante de um laudo confirmando este quadro.

O cara assassinou a noiva exatamente onde estavam as câmeras de segurança. Se você observar os vídeos e fotos (que infestam a Internet como moscas) verá que ele a levou para aquele local, para ali, cometar as atrocidades, tomado pelo tal surto psicótico.

Roda, por aí, um vídeo caseiro de sexo, entre a funkeira e um cara. Este vídeo foi feito recentemente, pelo que se sabe. Será que o assassino Miltinho viu o vídeo e tramou tudo para, ainda se safar? Cenas dos próximos capítulos...


Esta postagem ronda o submundo da Internet, dando conta a que a história é outra...
Lendo os inúmeros comentários sobre este caso, que tem tudo a ver com este pensamento que escrevo, onde muitas pessoas julgavam a mulher por ser isso ou aquilo (uns a condenavam e outras, absolviam) e falando do cara, também condenando-o ou absolvendo... Mas, o que eu mais li, nas entre frases e entrelinhas, foi "nada justifica". Nada justifica um homem matar uma mulher por qualquer que seja o motivo.

O que me assusta, neste pensamento, é dar a possibilidade e abertura em imaginar que algo possa se justificar, diante das novas ordens que estamos vivendo.

Será que o mundo está mudando e não estamos percebendo que suas regras também mudaram, informalmente? Será que as coisas que vem acontecendo com tanta frequência são justificadas por esses novos princípios sociais estabelecidos?

Se você não é do Rio de Janeiro, talvez não consiga imaginar o que vou dizer. Mas... ande pela Baixada Fluminense (Queimados, Nova Iguaço, São João...)... ande pela Zona Norte da Cidade (Inhaúma, Engenho da Rainha, Colégio...)... ande pela Zona Oeste (Campo Grande, Realengo...)... ande por São Gonçalo, lugar que a TV Globo escolheu para uma nova minissérie (dita engraçada).

Ande por São Paulo, por Recife, por São Luiz, por Belo Horizonte, por Porto Alegre... ande pela periferia. Nada de glamour...

Mas não ande de carro... vá de ônibus... use as vans, ande a pé...

Você vai ver o medo nos rostos das pessoas. Vai sentir a tensão no ar. Observe com calma como se comportam seguranças nas lojas de Bonsucesso, Madureira... entre num shopping center, em Guadalupe. Você vai entender que os pilares mudaram. Vai entender que a sociedade passa a ser regida pela lei do cão...


E, diante deste combo de novos princípios, talvez se justifique, matar, queimar, esquartejar, subjugar, roubar, trair, enganar. Talvez esta Lei do Cão estabelecida nesta sociedade, que se alastra, seja a nova ordem que vivemos temendo... onde não existe mais respeito ao que é de um. O espaço do outro deixou de ser sagrado. A mulher do próximo pode ser de outros, entre tantos outros "causos" que tanto nos incomodam, para o futuro que deixaremos aos nossos filhos.

Governos sem controle popular, corruptos e transgressores... são os piores exemplos para a construção de uma sociedade podre, como a que testemunhamos, todos os dias. Pessoas cada vez mais consumistas e gananciosas, sem recursos de conquista, tirando dos outros pela força e violência.

Hoje, vale a lei do mais forte, ou do que tem mais influência. Eu quero, eu tomo! É assim que é... e, não que eu ache que nada justifica. Mas justifica sim!

A solidão do orgulhoso... ou pires na mão?


Para quem me conhece pessoalmente, sabe que os dias que estou vivendo não são os melhores. As coisas que vem acontecendo, certamente não farão parte das boas lembranças que temos, na vida.

Algumas fases que vivemos são porretas. Algumas dificuldades nos amadurecem... e outras, nos endurecem. E a diferença entre elas, depende única e exclusivamente, da forma como você encara seus problemas.

Se você se puser no lugar de vítima, vai encarar a coisa toda como se as pessoas à sua volta, tivessem a obrigação de te ajudar. Com as decepções decorrentes de algumas ausências, você se tornará rabugento, amargurado.

Mas se você entender que certos percalços fazem parte de inúmeras coisas (e eu falo de uma infinidade de coisas reais, divinas, virtuais e qualquer das dimensões e crenças conhecidas) que estão dentro do espectro da vida real, vai entender o significado da vida e os problemas serão o cimento para você edificar-se.

É tudo uma questão de ponto de vista.

Quando vivemos problemas reais, dificuldades diversas, temos a tendência natural a esperar que os outros nos cubram, nos protejam... ficamos com aquela cara de criança de rua, no sinal de trânsito, implorando, com o olhar por alguém que te ofereça ajuda (ou qualquer coisa).

Os tempos estão difíceis. As pessoas vivem vidas cada vez mais voltadas a si mesmas e aos seus próximos. Cada vez mais solitárias e egoístas (não aquele egoísmo do mal... mas aquele que nos faz não ter olhares, para os lados. Ou seja, não se pode culpar alguém por não ter o que dar... Na verdade, não podemos por a culpa e ninguém.

Nesses momentos de dificuldade, sai na frente quem tem família grande e unida. Pois todo mundo acaba se cotizando para dar um jeito em quem está com alguma dificuldade. A família é a árvore da vida.

Já ouvi pessoas dizendo o famoso "pode contar comigo para o que for, o que precisar"... e quando você vai atrás da afirmativa, vê que era puro marketing. Muitas vezes, quando não se pode ajudar, é bom ficar calado.

Noutro dia, conversando com um amigo antigo, que encontrei nessas andanças da vida, comentei a fase dura que estou vivendo e após um tempo, essa pessoa falou: "- Edu, por que você não pede ajuda?". E eu respondi... jamais!

Depois de ver o cara me chamar de orgulhoso, fiquei pensativo. Será que sou mesmo uma pessoa orgulhosa, ou são as pessoas que perderam a noção do coletivo e não se mancam? Acho que nenhum dos dois (ou um pouco de cada um).

Na minha forma de ver, é inconcebível pedir algo a alguém. Parece que eu travo. Mas eu ficaria feliz demais se eu recebesse alguma ajuda. Mas, pedir... isso não. Não seria nada orgulhoso se alguém me oferecesse ajuda, eu acho... Se bem que, eu tenho certa dificuldade em receber coisas (favores, por exemplo). Mas a fase está tão ruim que eu seria capaz de driblar este meu 'jeitinho'...

Por exemplo: quando vejo um amigo sisudo, gosto de investigar se posso fazer algo. Eu não pergunto se quer ajuda... se eu posso doar algo (tempo, por exemplo), eu vou e doo. Não fico perguntando se quer que eu faça isso ou aquilo. Eu vou, e faço! E não aceito não, como resposta!

Quando "pedir" é algo obrigatório, não me importo. Peço desculpas, peço licença, peço a palavra... Mas, se o assunto é pedir ajuda (principalmente para mim), nem pensar. E eu incorro no erro capital: eu (mesmo que secretamente) espero que alguém me ajude. Não falo de nada material. O problema não é este. Mas eu preciso do tempo das pessoas... algo muito caro para os dias atuais.

Este texto é, de certa forma, um pedido de ajuda. Clicando em publicar, eu automaticamente estou conclamando quem me conhece a ajudar. Mas aí, não vai valer... Pois eu acredito na ajuda espontânea. Naquela que fazemos, simplesmente, porque queremos (e podemos) fazer... Fazer algo depois que o alerta foi dado, perde toda essência da doação (ou da ajuda).

O papo é reto! Sem firulas... Afinal, não enxergo outra forma de ver a coisa...

Amor, não se pede. Nem favor... Carinho, atenção, consideração, abraço... nada disso devemos pedir. A não ser que estejamos tão carentes (e em desequilíbrio emocional) que nosso orgulho próprio está destruído... e isso é grave!

Na verdade, quem quer... vai e faz. Sem perguntar se pode fazer... ou se "quer" que faça. Não consigo ver de outra forma.

O orgulho, a vergonha, nos fazem deixar de pedir muitas coisas... muita gente tem fome... e sofre com isso. Ao ver alguém com fome, não dá para esperar a pessoa pedir. Isso é crueldade. Isso mesmo. Muitas vezes, somos cruéis se fazermos absolutamente nada!

Por falta de educação, deixamos de pedir "por favor"... isso sim, se pede. Isso se deve pedir! Ah, perdão também se pede... (essa é dura!). Pedir perdão é um dos mais difíceis exercícios. O maior de todos é perdoar...

Se pede a palavra... mas não se pede agradecimento, gratidão. É obrigatório pedir desculpas, permissão e licença!

Pedir ou não pedir... tudo muito relativo.

Mas, quem quer mesmo, faz! Quem quer, liga, vai, pega, arruma tempo, aparece, luta... e etc. Quem não quer, vive a fazer o marketing do oferecimento. Eu ofereci ajuda, mas ele negou... Óbvio!

Muita coisa se pode pedir e algumas, devemos... Mas, bom mesmo, é agradecer pelo que tem, pelo que conquistamos e pelo que vem do Divino. No mais, a vida segue...

O único momento em que eu não me incomodo de pedir, é quando converso com Deus, de joelhos. Peço, quase sempre, sabedoria... para entender que preciso passar por certas coisas, para crescer. Mas não vou negar que já pedi coisas para mim, para alcançar metas e tals... sou humano! E peço, com toda humildade de meu coração.

A vida é bem simples e acabamos, por muitos motivos, deixando que os buracos que criamos, virem feridas... e vivemos a remediá-las... e a lamentar. Tanta lamentação nos torna amargurados, fechados. Enfim...

Para quem espera me ver de pires na mão, com aquela carinha de pidão... vai dormir na fila.

Quer merecer um Onur? Seja uma Sherazade!

Tem muita mulher, por aí, suspirando e pedindo um Onur em sua vida...
Mas, para merecer um homem legal, precisa ser também, uma mulher incrível...
Será que você merece?



Não é novidade para ninguém, que eu curto demais a novela das oito, da Band: "Mil e uma Noites" (Binbir Gece, em seu nome original).

A cada novo capítulo, que acompanho via web, me convenço mais e mais que precisamos mesmo merecer o amor que tanto desejamos.  Para cada suspiro que damos, aguardando nossa vez, mais aumenta este desejo, de ser, simplesmente, feliz com quem se ama!

Gosto muito de pensar em amor e em todas as suas vertentes, desdobramentos. Sou um amante do amor, um admirador deste sentimento tão incrível.

Tenho visto muito nas redes sociais, a mulherada suspirando pelos caras turcos, o Onur Aksal, principalmente (personagem do ator Halit Ergenç). Não é novidade... é só aparecer uma cara bonita na TV, que a mulherada vai à loucura. É um fenômeno natural... E, em redes sociais, isso vira um enorme maremoto de suspiros e declarações de todos os tipos.

Aliás, cabe um comentário: a tietagem no Brasil é algo chato... As pessoas gostam, idolatram a personagem que o artista veste, e insistem em entrar na vida pessoal, deste artista... tornando invasiva demais a vida da pessoa. Entrar não... devassar... isso é meio chato, constrangedor... É como se a beleza e virtudes da personagem que o artista encorpora, fosse transportada para sua pessoa... e nem sempre é essa fofura toda.

Bom... tenho visto, por aí, que a mulherada pede, insistentemente, através da seguinte postagem: "multiplica, Onur!"... como que pedindo aos céus que o tipo e o jeitão do galã turco, da novela, seja expandido e incorporado ao jeito do homem brasileiro ser...

Falando rapidamente... o cara é bonitão, rico (muito rico), empresário. Parece ter bom caráter. Vem de uma família tradicional, entre outras características. Onur é um cara cheio de dilemas em seu passado... desde o escorregão do pai, um engenheiro bem sucedido que abandonou a família, por uma outra mulher, desgraçando a vida da esposa e deixando um buraco no filho...

Onur desenvolveu um comportamento egoísta, machista (normal para a cultura daquele país), vivendo a vida de um playboy, com vida noturna farta, muitas mulheres e poucas paixões. Sempre lidou com as mulheres de forma superficial, tratando-as, muitas vezes, como objetos e fontes de prazer. Ou seja, fazia e acontecia, tendo peguetes turquia à fora...

Sócio e amigo do Keren, outro playboy turco que o acompanhava nas noitadas... Ambos conhecidos nos bares, restaurantes e casas noturnas. Sempre com seus carrões, ternos importados, abotoaduras e etc... eram os garanhões do pedaço.

Ambos sempre se comportaram de forma similar, em se tratando de mulheres. Ou seja: tudo casual, sem compromisso. E nunca faltaram pretendentes. Mulheres boas e más... normalmente fáceis... e sempre usadas. Essa era a tônica da vida, após o expediente.

Sua mãe, Feride Aksal, a que foi abandonada pelo marido, sempre sonhou com um futuro melhor para o filho, no campo amoroso e sempre o pressionou a casar-se e constituir família. Mas ele, apesar de ter-se envolvido sem sucesso no passado, não queria saber de compromisso.

Desenvolveu, a partir de uma vida regada a muitos encontros e sexo fácil, um tipo de misoginia, valorizando seus pontos de vida machistas e androcêntricos. Para ele, a mulher era apenas um objeto perecível e descartável.

Estou falando do Onur, mas parece estar falando sobre muitos e muitos caras brasileiros, que anda por aí, com seus carrões e músculos, angariando e colecionando mulheres, de todos os tipos.

Onur, empresário de sucesso. A metade durona da sociedade com Keren... Homem direto, sisudo, ético nos negócios e profundamente focado no trabalho. Construiu um império, com o amigo, a construtora Binyapi, uma das mais fortes do país. Um cara que não aceita o "não" como resposta e acostumado a ter tudo o que deseja, mesmo que tenha de usar a força. Um controlador por natureza, altamente materialista e acumulador.

O cara vive assim, até conhecer a mulher que mudará todo este comportamento... até conhecer sentimentos que jamais teve acesso, mesmo nos melhores dias da sua passada vida amorosa.

Sherazade Eviyaoglu, a arquiteta premiada... personagem da atriz turca, Bergüzar Korel (a namoradinha da Turquia). Uma mulher forte, lutadora e de uma determinação contagiante.

Viúva (mesmo não tendo sido casada) do também arquiteto Armed, morto em um acidente de trânsito, que sofreu, após ter uma discussão em casa, ela enfrentou tempos difíceis, como mãe solteira  do pequeno Kaan, de pouco mais de um ano de idade, naquela terra machista. Enfrentou depressão e desemprego. Criou o filho sozinha e foi à luta.

Para fazer parte do quadro da poderosa Binyapi, teve de omitir que tinha um filho, pois uma empresa daquele porte não contrataria uma mãe solteira. E, após ser contratada, com um salário abaixo (isso acontece no mundo inteiro), ganhou um prêmio de arquitetura, que evidenciou, ainda mais o nome da corporação no cenário corporativo.

Sherazade, com um filho pequeno, ainda teve de passar por sua maior provação: cuidar de uma criança, vítima de leucemia (ou câncer no sangue), enfrentando todas as dificuldades naturais para cuidar do filho, enquanto aguardava um doador de medula, que fosse compatível com seu filho, para que pudesse salvá-lo.

Até que, aos 44 minutos do segundo tempo (no limite da saúde de Kaan), eis que aparece um anjo, a doce Mihriban, oriunda do Azerbaijão. E, ciente que estaria disposta a ir à Turquia para fazer o transplante de medula, Sherazade é compelida a bancar todo o processo de menos de dois dias, tendo de dispor de quantia volumosa de dinheiro, para trazer Mihriban e bancar o tratamento pós transplante.

Com apenas três meses no emprego, a bela arquiteta se vê obrigada a se virar para conseguir o dinheiro para lutar pela vida do filho. 900.000 TRL (algo em torno de 500mil). Ela recorre a todos que conhece. Pega dinheiro emprestado com amigos, mas consegue pouco...

Ela recorre, muito a contragosto, à família do falecido marido e vai conversar com o patriarca mão de ferro Burhan Evliyaoğlu (personagem do ator Metin Çekmez), que cheio de mágoas e rancor por ter 'perdido' seu filho primogênito para ela, lhe dá um passa-fora terrível, amaldiçoando, inclusive, a vida do neto, que estava à beira da morte.

Correndo contra o tempo, ela se vê obrigada a pedir o dinheiro emprestado, na empresa onde trabalha e resolve ir conversar com o presidente, o durão Onur, e lhe pedir a grana.

Para sua surpresa, ele concorda com o pedido, mas pede como pagamento, que ela faça sexo com ele por uma noite. Esta noite lancinante, para ela, foi denominada a "noite negra", onde teve de se entregar a um homem (então) repugnante, a uma noite de prazeres sexuais. E ela encarou a coisa... e, pela manhã, teve o dinheiro que precisava, para salvar o filho. E o salvou!

A partir daí, dá-se, no relacionamento entre Onur e Sherazade, Um enorme vão, onde ela passa a odiá-lo e ele começa a desenvolver um enorme desejo sexual pela moça. Eles se arranham, em reuniões seguidas. Ele, duro e ríspido. Ela com a cólera do nojo.

À medida em que o tempo passa, uma série de acontecimentos rondam á protagonista da novela e uma série de redenções começam a se desenhar. A começar pelo velho Burhan, que percebe a burrada que fez, ao profanar a vida do neto e escorraçar sua nora. Ele, que vive uma vida infernal, cercado por invejosos, sabotadores e por um filho trapalhão (o Ali Kemal), vê que ela é uma mulher de caráter e retidão... e passa a nutrir carinho pelo neto e um enorme remorso por tâ-la tratado tão mal.

Ela, por sua vez, não quer nem ouvir falar do velho sogro, apagando-o de sua memória e desconsiderando-o como avô. Também precisa aturar o Onur. Afinal, é o sustento dela, aquele emprego.

Ela começa a se destacar no que faz e os olhos do sócio Keren começam a se colorir na direção da arquiteta. Keren, solteiro, bonitão e pegador... se vê apaixonado pola mocinha da história. E amolece o coração...

À medida em que os trabalhos avançam, ela, séria, competente, trabalhadora e dona de um caráter sólido, começa a perceber as investidas do Onur, que, até então, queria muito um repeteco daquela noite terrível... e chega a fazer uma nova proposta de dinheiro por sexo... e viu o ódio da moça crescer mais ainda por ele.

Naturalmente, ele não sabia de nada. Não sabia para que o dinheiro iria servir. Chegou a pensar que ela investira na bolsa...

Mas, ao perceber o contexto da história e ver que a causa era nobre, ele viu o quão monstruoso foi, em tratar a situação de forma tão suja. A partir daí, uma onda gigante de arrependimento abateu seu coração e este remorso< à medida em que crescia, aflorava-se outro sentimento: o amor.

E ele começou a muda. Seus olhares para ela, vinham de baixo para cima, ele passou a se esmagar por dentro, ao sentir-se tão cruel... e passou a se desdobrar para mudar sua imagem, diante da amada.

E ela, o via pelos ombros, num olhar magoado, torto. Magoada, ferida e inundada por um sentimento terrível de ter sido usada, de ter sua alma invadida, sem permissão. Como se fosse violada...

Ela passa a tratá-lo rispidamente.

Dizem que o convívio muda as pessoas... e à medida em que conviviam, à medida em que se conheciam, mais brandos iam sendo seus contatos, até que ele revelasse à ela, o amor que tinha descoberto, dentro do peito.

Ele passou a declara-se em cada momento oportuno. Mudou sua forma de ser. Se tornou gentil, afável... e até humilde, perante a ela.


Possuído pelo poder infinito do amor, pediu-lhe a mão em casamento, mesmo contra as tradições turcas, de casar-se com uma mulher com um filho sem pai. Resolveu enfrentar a mãe e o sócio/concorrente Keren e abriu seu coração.

Ela, reta, não dá o braço a torcer. É durona e faz o poderoso chefão, comer na sua mão, como um cachorrinho. Ela exerce poder sobre ele, pois ele ainda parece querer redimir-se do erro fatal que cometeu e faz tudo para mudar a imagem do safado que foi.


Uma novela simples, que traz de volta valores que pouco são usados em nossa sociedade: como caráter, retidão, amizade ética e compromisso. Mil e uma noites chegou para ficar. Felizes de nós!
Sherazade é impecável em sua trajetória. Como mãe, amiga e profissional. Não mistura as coisas, não cede aos apelos das pessoas. É justa e honrada. Domina qualquer conversa, por onde passa e cativa a todos. Cresce profissionalmente, como um foguete e todos a admiram... e alguns, morrem de inveja.

Sherazade é um tipo de mulher que não se vê mais, nos dias de hoje. Por isso que o careca está louco por ela... pois percebeu a joia rara que é. Até um tiro ela levou, por se recusar a ganhar propina e fazer parte de um grupo corrupto, no ramo de trabalho que atua.

Ele: bonitão, rico e bem sucedido; está comendo o pão que o diabo amassou, para ter a amada por perto. E vai conseguir, pois o amor verdadeiro se revela de muitas maneiras e sempre encontra seu contraponto.

Ela está melhor como pessoa... encontrou o amor de homem, de pai. Parece mais justo com os outros. Amansou...

Mas é controlador, inseguro e ciumento. E precisará trabalhar isso, para conquistar sua amada. Pois a arquiteta parece um trator e jamais permitirá que homem algum a controle ou grude nos pés dela.

Para quem quer ver multiplicar o Onur nos homens que vê, precisa também fazer um exercício de Sherazade e ser também uma pessoa melhor.

Não adianta pedir um amor só porque ele é um cara do bem, rico e tals. Ela precisa merecer um cara assim.

Vejo por aí, a mulherada suspirando pelo galã, mas que não é nem a unha do pé de sua amada. Muita mulher deveria se espelhar na turca, que ainda enfrentará mil vilões, por todos os lados, para alcançar  a verdadeira felicidade.

Nesses tempos difíceis de Internet prostituindo as relações humanas... Num mundo de relações descartáveis, desrespeito, pouco envolvimento... excesso de materialismo e superficialidade. Quem não quer viver um amor gentil, calmo e suave? Para quem luta, trabalha e procura fazer tudo certo, sem sacanear ninguém... por que não ter um amor de verdade, avassalador? Tem de merecer...

Ganhar um amor de presente da vida é como a gente falar para um filho: estude, se comporte bem, respeite os mais velhos, tome banho todos os dias, obedeça aos pais...

Um bom menino consegue sucesso na vida. Para um adulto conquistar um amor, não basta pedir. Tem de fazer por onde.... Não basta querer e torcer... não basta nem se colocar ao dispor, nas noites das baladas solitárias... Conquistar um amor, requer humildade, bom coração, boas ações, bons hábitos... e não se deixar levar por palavras fáceis, carros bonitos, corpos sarados...

Essa coisa de ir à luta só aumenta nossas carências e frustrações, nos tornando baratos e presas fáceis nas selvas da vida.

Para você que suspira pelo Onur, seja mais Sherazade também. Senão, o que vai ter, é o que realmente merece que tenha.

A sua hora vai chegar! Mas não se iluda...