Quantas cores tem um arco-íris?


Nesta semana, uma coincidência interessante aconteceu. Nada de mais... por acaso, li o livro do Leo Jaime, "Cabeça de Homem", e ontem, zapeando a TV, caí na entrevista dele, no programa do Jô Soares.

Sobre o livro, de tema interessante, digo que gostei do "geral", mas confesso que discordo de muita coisa. Ele coloca o homem como um cara que não tá nem aí para os detalhes femininos.

Em parte, como disse, ele está certo. A gente não repara mesmo a mudança do corte de cabelos da esposa, ou se aquela bolsa é nova... Mas são meros detalhes que, na verdade, não tem grande impacto sobre a vida... Tudo bem que a mulherada se ressente quando a gente não observa as mudanças...


Falando sobre a entrevista, uma coisa ficou muito marcada, pois é uma coisa que eu já tinha pensado, mas não com a articulação e contexto que foi abordada.

Numa conversa, certa vez, com uma amiga, bem mais nova, falei que o futuro da humanidade seria uma migração para a bissexualidade. Para o mundo futuro bem distante, espero...

Ontem, o Leo falava de um tipo de mistura dos gêneros, onde vivemos uma fase de transições profundas na sexualidade humana. Homens héteros curtindo outros caras, mulheres mais lésbicas do que nunca... e por aí vai...

Concordo totalmente. Tenho visto amigos partindo para novas experiências, além da dissolvição e fragmentação de conceitos, antes rígidos e perpétuos na sociedade. As coisas estão mudando, e com uma velocidade enorme. Para uns, assustadoras; para outros, em hora muito bem vinda.

Esta transformação de gênero, não fala só da 'democratização' da diversidade sexual, mas aborda uma profunda modificação dos padrões familiares, consagrados, desde que nos entendemos por gente.

Homossexualidade, bissexualidade... isso sempre existiu. Desde os tempos muito, muito antigos, o homem (sexo masculino) se bandeava para o mesmo time, assim como as mulheres, que sempre se curtiram. Mas tudo sempre foi feito com a maior discrição.

Muitos (quase todas as espécies) acasalam com o mesmo sexo. Algumas só reproduzem através desta junção (do mesmo sexo). Por que, com o ser humano seria diferente.

Noutro dia, visitando um cliente, observei que atrás de sua cadeira haviam porta-retratos. Enquanto ele atendia a uma ligação, parai para observar as fotos, de longe. Não haviam mulheres, somente homens. E, em especial, ele estava abraçado a outro cara, em quase todas aquelas fotos...

Após a chamada atendida, o cliente se virou para mim e disse: gostou das fotos? E, em seguida se referiu, num parêntese daquela reunião, ao companheiro. Teceu inúmeros comentários e etc. Chegou às lágrimas nos olhos. Aquilo me comoveu também, pela forma que ele falou o quanto sofreram para ficar juntos.

Quem era eu para julgar tal coisa? A maior declaração de amor... achei aquilo bacana. Usando o linguajar bruto, "o cara tem de ser muito macho para assumir aquela situação!".

Sou um crítico ferrenho das leis brasileiras, com sua falta de atualização a este mundo dinâmico que vivemos. Também critico a psicologia. O mundo muda a cada segundo e tais cadeiras precisam mudar também, acompanhar o que se chama de evolução.

Hoje, pela manhã, li no Jornal O Globo, que, após um conflito entre um casal (ou ex-casal) homo afetivo, uma das partes recorreu à proteção da Lei Maria da Penha. E a juíza indeferiu tal pedido por não entender o enquadramento naquela Lei. Esta, com certeza, será uma discussão que dará pano para as mangas, principalmente, nas redes sociais, onde todo mundo vomita sua opinião... e alguns a emitem com bom senso...

O mundo vive um processo impiedoso de mudanças. A Internet tratou de multiplicar por milhões, esta velocidade. Antigamente, as mudanças eram lentas e gradativas. Hoje a coisa acontece, muitas vezes, na base da marra, da força.

Tem aquela turma comprometida, que ajuda a empurrar o carro ladeira abaixo e coloca o circo para pegar fogo mesmo... e tem a turma mais conservadora. A diferença está na educação entre as pessoas, na forma como se tratam. Parece que a palavra respeito, bem como seu conceito, também passa por um tipo de mudança, de reformulação.

Mas, este é outro papo...

The Voice Brasil: da força da mídia à chatice da média...


Nunca fui muito fã de programas de calouros. Lembro que, quando criança, na hora que o programa do Silvio Santos entrava nesta parte, eu me retirava, pois achava feio, sentia vergonha alheia. Bobagem de criança...

Os anos se passaram e muitos outros programas de calouros surgiram, até similares ao quadro cômico do dono do Baú da Felicidade, como os calouros do Cassino do Chacrinha. Neste caso, já debochando do estilo e apresentando os tipos mais engraçados, até bizarros.

As emissoras de TV sempre que resolveram investir em descobrir novos talentos da música, não foram muito à frente, dado que o público nunca ligou muito para este tipo de coisa. Os programas iam e vinham, seus formatos diversos. No máximo, revelavam bons talentos, mas ninguém que emplacasse, de verdade.

Lembro da época dos festivais, quando a TV mais popular surgia e entrava no jogo, ajudando a promover os novos nomes, como Caetano, Chico, Elis, Jair Rodrigues e tantos e tantos outros talentos incríveis.

Nossa música sempre foi muito rica e a mídia surgia com força total entregando ao público a fina flor de uma nova geração que chegava pra ficar e não iria mais embora.

Até hoje, os nomes emblemáticos dos festivais de música ainda continuam no ar.

Com o crescimento alucinado da televisão e a mudança dos hábitos, diante da invasão da telinha, os festivais nunca mais deram as caras e versões enlatadas tomaram seu lugar com os programas de novos talentos, mas o público migrou também seus hábitos, se jogando nas novelas...

A música sempre foi uma enorme agente de mudanças. Através da música, tudo a sua volta se modifica e ela, a música, segue como reveladora da identidade do povo... tem vida própria, força.

Nesta nova era, que a televisão vive, numa interatividade sem precedentes e num tipo de fusão com a Internet, a TV Globo, resolveu entrar no jogo para descobrir novas figuras na música, que pouco tem se renovado. Surgiu a franquia do The Voice Brasil, seguindo exatamente o mesmo formato da versão internacional. E está encerrando sua terceira temporada, conseguindo mudar, um pouco, o perfil de audiência para este tipo de programa. A força global e um formato interessante, privilegiando a voz (como o próprio nome diz) começa a dar mais credibilidade aos milhões de talentos anônimos da nossa tão rica música.

Apenas de um talento único para desenvolver ritmos, na verdade, a nossa música, nos últimos anos, pelo menos no Brasil, vem se transformando, com misturas diversas de ritmos, dando origem a novos nomes. O brasileiro é mesmo, muito criativo musicalmente. Mas a visão geral é que a música perde qualidade, como tudo no mundo. Há um desgaste dos modelos atuais e novas gerações tratam de fazer as mudanças necessárias, fazendo girar a bola, chamada planeta Terra.

Eu curto o The Voice. Conhecer as histórias dos talentos, ver como tiveram dificuldade em alcançar a fama, na luta da estrada. Acho muito nobre, uma pessoa que tem um objetivo e vai com tudo, pra cima, sem desistir de seus sonhos.

O formato de "audições às cegas", como é a proposta inicial do programa, é uma ideia interessante. Coloca a voz acima da figura. Mas nós sabemos que, em algum momento, se a figura não for bonita (nesses padrões doentios que a mídia e a moda impõem) o suficiente, ela dança no programa.

Acompanhei as três edições do programa e ontem foi a semi-final, relevando os cantores que figurarão na terceira finalíssima do programa... e, mesmo sem entender muito de música, posso dizer que esta é a final de nível mais baixo. E olha que eu já cheguei a achar, durante esta terceira edição, que este programa era o de mais alto nível, dentre os três apresentados.

O problema é que, as grandes vozes, foram embora... ou pelo formato e regras do programa, ou por escolha do público, ou mesmo pela opinião dos técnicos. Aliás, eu preciso dizer que os professores, avaliadores, batedores de botão, também chamados de técnicos, de nada tem do nome que carregam.

Lulu Santos, Carlinhos Brown, Daniel e Claudia Leitte nada tem de técnicos. São "fazedores" de média, sem opinião contundente. E, quando uma opinião firme aparece, uma grande burrada é feita, em minha humilde opinião.

Me irritou, particularmente, a eliminação de alguns grandes concorrentes, simplesmente para privilegiar alguns esteriótipos visuais, os colocando acima de suas vozes. Lulu Santos é craque em fazer este tipo de burrada. Ele fala do artista, da presença... mas é a voz que importa. Se o cara é feio mas tem uma puta voz, ele deve ir adiante. A Globo que dê um jeito na cara dele. Mas é a voz que está acima da figura. Pelo menos, deveria estar.

Lulu Santos, aliás, se revelou um grande bunda mole em suas escolhas, eliminando grandes vozes e mantendo interessantes figuras... e vai pagar caro, em ver que seu preterido Lui Medeiros, que eliminou diante da fraca Deena Love. Não sei se Lui vai ganhar, mas é disparado a melhor voz desta final.

Ontem, os técnicos se superaram e colocaram suas violas no saco, aos se omitirem de suas opiniões, entregando a responsabilidade de escolha ao público. Assim, se eximem de "culpa". Mas eles estão ali para se posicionarem, não para fazer média, elogios rasgados aos perdedores e ao enaltecimento dos derrotados. Desde as audições às cegas, sempre tive esta opinião.

Pode estar presente em alguns programas e vi, com meus próprios olhos, ao vivo e à cores, a chatice de ouvir as opiniões bundas-mole desses caras. Sem um posicionamento personalizado, privilegiando outros fatores, que não suas vozes.

Lulu Santos é meu alvo neste pensamento. Estou mesmo muito irritado com ele (escrevo isso rindo). Pois você deve achar que eu não tenho mais nada na vida, pra fazer. Até que, As quintas à noite, eu não tenho mesmo...

Mas o posicionamento dele diante da batalha entre Dudu Fileti e Isadora Morais, em minha opinião, as melhores performances de todo este programa, eliminou a cantora lírica por se dizer não capacitado a avaliá-la. Que escolheria o Dudu por estar "mais próximo" de sua realidade. Abriu a boca e falou como um imbecil! Não esperava ouvir isso dele...



Particularmente, eu votaria na Isadora, pois fiquei encantado com sua voz, nesta canção (How can I go on, com Freddie Mercury e Montserrat Caballé). A melhor de todas as batalhas que eu vi...

Naquele dia, era coroado um pensamento meu, que Lulu nada entende de crítica musical, como analista. E, conhecendo o Lulu tão bem, como conheço, sendo fã dele há mais de 30 anos, muita coisa (para mim) passa a fazer sentido, em toda essa história.

O "rei do pop" Brasil eliminou uma das melhores vozes desta temporada, o Edu Camargo e foi atrás do 'nicho' que dava mais cliques, votando na dupla Danilo Reis e Rafael. Não que a dupla não seja boa. Os caras arrebentam, mas peço desculpas para dizer que Edu Camargo possui voz muito mais marcante do que o tom grave de um dos componentes desta boa dupla sertaneja.

Logo o Lulu Santos. Um cara difícil, até insuportável, por sua forma seca de tratar as pessoas, em nível pessoal, que brigou com todo mundo que conheceu, mordeu muitas mãos que o alimentava, com uma personalidade que, até, o atrapalhou em sua trajetória profissional, sendo conhecido como um cara grosseiro e de opiniões fortes, mas idolatrado nas performances de palco, se emoldurar como um grande fazedor de médias, com escolhas confusas...

Lulu tinha o time mais forte. Mas todos que o escolheram nas audições às cegas, foram eliminados, por diversas circunstâncias... tanto que, a final de seu time, entre a dupla sertaneja e Nonô Lellis, comporta de concorrentes que não o escolheram, inicialmente, e entraram para seu grupo após o recurso do "Peguei"...

O "teamLux" só não chega à final com o cantor mais fraco, porque o time do Carlinhos Brown, despontou o fraquíssimo Romero Ribeiro, excelente cover do Alexandre Pires, vencendo a muito superior Rose Oliver, também numa demonstração irritante do ato de fazer média e tirar o seu da reta.

Que técnicos são esses? Por mim, as audições às cegas poderiam ser feitas sem eles. Deixem que no público, em sua gigante interatividade, vire (ou não) a cadeira. Eles são meras figuras decorativas, ressonâncias da mídia, como diz um amigo. Quando suas opiniões são realmente decisivas, eles saem da frente e tiram o deles da reta, não querendo ser responsabilizados pelas suas decisões.

Que o Lulu volte para os palcos para cantar suas incríveis canções e que feche a boca, nas suas opiniões. Pois como técnico, ele é um grande cantor.

Se, no final, eu queimar minha língua e Danilo Reis e Rafael ganharem o The Voice, saibamos que eles era do time do Daniel. Mas acho que Lui Medeiros papa essa, dando o bicampeonato para Claudia Leitte, que venceu, no ano passado dom o desaparecido Sam Alves.

Quando eu era pequeno, uma vez ouvi que "opinião é como bunda... cada um tem a sua." Mas saber se posicionar e justificar sua opinião, para não parecer um bobo, é fundamental.

Os festivais, que antes revelaram grandes artistas, que se imortalizaram em nossas mentes e corações, com canções que marcaram nossas vidas, festivas de artistas... são hoje, festivais de confetes, de confeiteiros, que dão os 15 minutos de fama ao ganhador, que desaparecem, logo após o programa.

Ellen Oléria, Sam Alves e outros cantores que despontaram nas outras versões do The Voice, são como vagalumes: somem, aparecem... vivem a piscar.

Minha conclusão é que a televisão ainda não encontrou o modelo ideal para lançar um grande nome da música... 

O sol nasce e brilha pra todos... mas se a mídia não estiver ao lado, com sua força indestrutível, pós programa, o artista despontado neste tipo de programa volta ao anonimato. Mas a poderosa mídia anda ocupada demais com outras baboseiras...

A Black Friday do amor e os seres analógicos


Sou uma pessoa de poucos amigos. Se você me conhece bem, já sabe que eu não sou o tipo de pessoa que paparica, que sufoca ou que, simplesmente, procura.

Eu cuido de meus amigos à minha maneira. Sei que está tudo bem e fico observando de longe. Detesto essas mensagens, do tipo "passando por aqui para saber se está tudo bem...". Eu acho fofo quando recebo, mas jamais enviaria uma mensagem assim. pois eu sei que não está TUDO bem.

Neste caso, a palavra tudo se refere à média... as coisas vão indo. Mas se você responde que tudo vai "indo", logo a pessoa quer te ajudar. E, convenhamos, essas pessoas fofas não estão prontas para lidar, realmente, com nossos problemas. Salvo raras exceções.

Amigos servem para ajudar, para estar juntos, para somar amor. Eu quero amigos que estejam a meu lado sem me encher o saco, sem julgar (se bem que julgar é inevitável), sem sufocar. Acho muito complicado oferecer ajuda, sem estar realmente preparado (em todos os sentidos) para ajudar, de fato.

Tem aquele cara que estufa o peito, e diz: "conte comigo para o que for!" Daí, você diz que: "já que você mencionou, estou precisando da sua ajuda...". A fisionomia da figura muda, pois ele fala aquilo (quase sempre), pró-forma... É uma forma de te dizer que gosta de você, que até se importa.

Ajuda não se pede. Ajuda nem se oferece. Quando você quer ajudar, de verdade. Você vai lá e... ajuda! Não tem meia conversa.

Odeio jogos entre as pessoas, odeio blefes. Já dei de cara com situações diversas onde eu percebi que a pessoa só queria mesmo ficar bem na foto. Mas eu digo... antes de se colocar à disposição a ajudar alguém, esteja mesmo disposto a honrar esta frase. Caso contrário, ficar mudo é  melhor saída. Mudo e ao lado, com solidariedade, com presença.

Muitas vezes, as pessoas que mais precisam de ajuda (de todo tipo) só querem a presença de alguém para um ombro, um abraço. Ninguém precisa carregar cruzes que não aguente nem levantar...

Amizade é soma de forças... é um relacionamento gratuito, mas que pode custar muito caro.

Eu observo muito a dinâmica dos relacionamentos, em todos os âmbitos. Não sou o melhor tipo para fazer análises, mas eu vejo tudo com este meu olhar limitado, porém, seguro e sólido... quase incorruptível (afinal, ninguém é perfeito).

Na minha vida, fui aprendendo que o relacionamento entre as pessoas é uma longa escadaria, com um sólido corrimão e, de períodos determinados, um espaço de refúgio, como nas estradas... um tipo de acostamento onde você pode parar com segurança, sem comprometer que vem atrás.

Nesta escadaria, não é necessário subir sem parar. O fôlego é diferente, em cada pessoa. A pessoa pode subir, aos poucos, lentamente. É interessante saber subir, pois não é legal descer degraus. Antes de descer, parar no próximo acostamento é sempre bom e mais prudente.

A vida ia bem, até chegar a Internet.

A rede mundial, que começa a ganhar contornos de infinitude (o que eu ainda não acredito), toma conta, aos poucos, de tudo que tem a ver com nossa vida cotidiana. Ela (a Internet) parece um animal faminto, consumindo tudo que está em seu caminho. Tudo parece estar na rede e, aos poucos, você se torna um robozinho, sem sentir...

Quando eu era pequeno, fazendo amigos, entendia que as coisas tem uma velocidade, que depende do seu próprio biorritmo. E esta é a graça das coisas...

Eu tenho meu jeito lento de me relacionar... e parece que todo mundo anda com uma velocidade alucinante, seja numa simples amizade, seja em outras esferas...

Hoje em dia, não sei se por culpa da Internet, tudo está intenso demais. Conheço uma pessoa hoje e amanhã ela já está me contando coisas íntimas, segredos guardados... Em menos de 24 horas, acabo conhecendo um resumo histórico da pessoa, além de seus pensamentos, desejos, anseios... isso é assustador.

Certa vez, conheci uma moça, num ambiente de paquera e, tive uma ótima conversa (coisa rara para meu jeito lento). No dia seguinte, tive de viajar a trabalho e fiquei sem acesso à Internet, mesmo com toda tecnologia disponível. No terceiro dia, quando retornei, fui olhar minhas mensagens e tomei um susto, com aquela paquera...

A mulher me enviou um "Oi"... três horas depois, me dizia: "responde, lindo!". Mais três horas se passaram, e ela perguntou: "está tudo bem, EDUARDO?". No final do dia, me enviou um texto, onde dizia que eu era uma decepção, que ela não esperava meu silêncio e que tudo que eu havia dito (e não disse muita coisa) deveria ser mentira.

Horas depois desta mensagem de "despedida", me enviou mais uma, com um nível um pouco mais baixo... Para quem estava viajando a negócios e voltou para a vida comum, foi um baque impressionante.

Este é um exemplo corriqueiro para te mostrar como as coisas estão sem rumo, perdidas.

Os aplicativos de mensagens chegaram para aproximar ainda mais as pessoas (pois já estavam próximas demais). E esta alucinante proximidade está fazendo as relações explodirem, sem ao menos ganharem corpo. Hoje, as relações intensas demais não resistem a um mero espirro.

A vida online avança numa velocidade diferente que os organismos das pessoas, que continuam os mesmos. E, muitos desses alucinados seres digitais não entendem que ainda existem seres analógicos, que usam os mesmos aplicativos, mas que possuem velocidade diferente de resposta... ou mesmo de intenção.

Muita gente não confia, de cara, em alguém... nada pessoal. Mas isso parece difícil de entrar na cabeça das pessoas. As confissões, compartilhamentos de segredos, ou mesmo informações mais íntimas, são coisas gradativas, que requerem o precioso tempo para se estabelecerem.

Antes, há pouco tempo atrás, você enviava uma mensagem e aguardava a resposta... aos poucos, você passou a ser informado se a mensagem enviada, foi recebida. Hoje em dia, você sabe, inclusive, o momento em que ela foi lida. E esta informação, te transforma num cobrador de respostas, fanático e alucinado.

A ansiedade tomou conta de todo mundo e parece que não temos mais nada pra fazer, na vida, a não ser esperar uma resposta.

Eu acho a vida virtual, os relacionamentos digitais, ou o nome que você quiser dar, uma coisa muito louca, que, de forma geral, ainda não estamos prontos para conviver. O funcionamento biológico das pessoas é lento e requer processos definidos e a velocidade das mensagens ultrapassa esta capacidade.

Eu não vou abrir minha vida a quem eu mal conheço... e nem tenho garantias se a pessoa existe, de fato. Vejo por aí, conflitos enormes porque um é veloz demais e o outro, normal. Eu sou lento... imagina o volume de conflitos...

Conheço gente que precisa de ajuda. Parecem viciados em relações instantâneas. As amizades, já perecíveis, duram o tempo de um natimorto. Não sobrevivem ao menor conflito, a menor discordância.

A amizade instantânea não constrói o afeto necessário ao sentimento de compreensão. Não há nem tolerância. A pressa é tanta que a falta de ação virou pecado mortal.

A morte súbita das novas amizades, mostra que nos tornamos um bando de inseguros e dependentes dos mecanismos modernos de aproximação. Como ouvi, noutro dia: "em tempos de mensagens instantâneas, telefonema é ostentação!"

Já existem provas documentadas que as pessoas são viciadas em ouvir o som das mensagens chegando em seus dispositivos. Elas querem acessar, mas querem ser acessadas. Querem ouvir o bip de uma mensagem chegando. Por isso, são tão alucinadas com respostas... Isso é mesmo, assustador.

Não tenho certeza se as pessoas querem mesmo um relacionamento real, ou se desejam apenas ter um "acervo" de pessoas penduradas em seu perfil, por exemplo. Tem gente que, para elevar a autoestima, se coloca em black friday, para ganhar cliques e se sentir menos sozinha.

Normalmente, esses "perfis black friday" são propagandas enganosas, como as BFs que conhecemos, no Brasil. Elevam e dobram seu "preço", e fazem promoção, exclusivamente, para você, pela metade!

A solidez de um relacionamento, seja em que esfera for, é gradual, gradativa. É a subida lenta, degrau a degrau... com paradas para respirar, refletir... Este frenesi louco das amizades cibernéticas, definitivamente, não é a minha praia. Sou analógico e com conexão discada...