Universidade open bar! Formando o futuro do Brasil...


Hoje, caminhando pela Tijuca, fui atravessar a rua e uma menina, toda pintada, me abordou. Ela tinha um copinho de plástico nas mãos, e vi, pelo barulho, que tinha algumas moedas... na abordagem, ela me pediu dinheiro...

Até aí, normal. Nesta época do ano, vemos a garotada pintada, "sofrendo" o assédio dos trotes, que são tarefas que os "veteranos" passam aos calouros, como prendas, por ingressarem na faculdade.

O trote é uma coisa normal. Sou do tempo que trote era um troço tão bobo, que nem consigo me lembrar dos que sofri... se é que sofri. Pois, apesar de ver a coisa como normal, não curto isso não!

O fato é que, a menina pintada, tinha um olhar tenso. Passava pouco das 11h da manhã e ela disse que tinha uma meta para cumprir. Ou conseguia R$ 10,00 em moedas até o meio dia, ou teria de pagar uma tarefa... e eu, dando papo para a menina, perguntei: - mas que tarefa é esta, que você está nervosa? E ela fez um gesto, enquanto di=zia que teria de fazer com os meninos que a mandaram no sinal.

Não sou puritano... Mas confesso que fiquei bobo com o que ele disse, naquele gesto. Se você, que lê este pensamento, está curioso, ela fez um gesto de sexo oral... A frase foi assim: "Eu vou ter de fazer (fez o gesto) nos meninos!

Eu fiquei mesmo bobo... fui atravessando a rua e disse que não tinha nenhuma moeda, infelizmente... ela se virou e foi abordar outra pessoa.

Na semana passada, última de fevereiro, vi uma bateria de reportagens, na TV, sobre a gigantesca onda de trotes nas universidades brasileiras. E, assim como os "eventos" anuais, que se repetem, ano a ano, as tragédias decorrentes desses trotes, marcam o início das aulas, todos os anos... e, em muitos casos, todos os semestres.

Os trotes, cada vez mais bizarros e estranhos, envolvem muito mais que as velhas boas vindas, com deboche. Se transformaram em poderosa ferramente de bullying, com assédio moral pesado, intimidação, violência física, agressões inacreditáveis e, consequentemente, óbitos.


Nas reportagens que vi na TV, mostraram alunos que tiverem sequelas sérias dessas brincadeiras imbecis. Um, que está com a visão comprometida, outra que está com as pernas queimadas por criolina, e outros tantos jovens que sofreram tudo tipo de abusos, agressões.

Agora, no fim da tarde, ligo a TV e assisto à reportagem sobre o jovem, aluno da USP, que morreu ao participar de um uma festa open bar, onde rolava um concurso, onde disputavam jovens, para saber quem bebia mais vodka.

Olha, eu ando cansado de ver tanta coisa imbecil por aí. Pra ser sincero, ando mesmo muito cansado, entediado, em observar a bestialidade destas novas gerações que surgem.

Tudo bem... vendo com mais atenção, esta notícia..., não lembro se foi a mãe, ou alguém da família do menino morto, por overdose alcoólica ( cara bebeu cerca de 30 doses de vodka, que dá, mais ou menos, 750ml de vodka pura) que, numa entrevista, disse que a culpa era da ambulância, que não estava aparelhada para socorrer o jovem.

Alguém precisa ser duro com esta pessoa e dizer que a culpa é de um conjunto de coisas e pessoas. Os promotores desta festa devem ser punidos, a empresa dona da ambulância deve ser punida... mas, o principal culpado por esta aberração, é o próprio jovem que morreu. Me desculpem os sentimentais, mas como um jovem de 22 anos, recém admitido numa faculdade renomada, se presta ao papel de encher a cara, a ponto de morrer, após uma coma alcoólica?

Vamos mais à fundo...

Que tipo de criação este jovem teve, que, ao sair da coleira familiar, resolve encher a cara de cachaça (ou vodka, ou seja lá o que for) a ponto de morrer?

Está tudo de pernas para o ar! Os jovens estão absolutamente perdidos, numa necessidade doentia de viver a vida. Que tipo de gente promove festas entre jovens universitários, os desafiando a beber até o limite?


Parece que, no mesmo evento onde o jovem Humberto morreu, outros cinco jovem foram parar no hospital... Parece que três ainda permanecem, em estado grave. Dois deles são meninas...

Vivemos a era da liberdade total. Se valendo da "tradição" do trote, marginais universitários praticam todo tipo de violência, humilhações e das maiores aberrações com jovens, que também parecem não ligar muito para consequências.

Mas alguns estão tão traumatizados que jamais querem voltar à faculdade, pois o que passaram, por ocasião dos trotes que sofreram, os marcou, pelo menos, por um bom tempo...

O que seria isso? Por que os jovens, ditos dominantes (os veteranos, valentões) estão tão cruéis, tão perversos? A cada ano, parece que a gravidade dos trotes aumenta e ninguém faz nada. A sociedade ri e não se mexe. Mães e pais dizem que isso faz parte da festa, da celebração, de uma conquista (quase sempre) sofrida. Que o trote é um tipo de libertação de tanta pressão...

Por que ainda não existem leis que proíbam os trotes, pois, bem ou mal, relações perversas nascem daí. O bullyng, muitas vezes, nasce de uma recepção tensa, dos jovens inocentes, da faculdades.

Certa vez, estava conversando com um amigo, que morou em Ouro Preto (MG) e ele disse que nas repúblicas (onde os jovens de fora, moram), as coisas são regadas a bebida alcoólica, drogas e muito sexo.

Volto a dizer que não sou puritano, mas o que eu vejo nas faculdades (e sou frequentador diário de uma delas) é coisa de louco. Parece que a galera vai para a "facul" para transar, aloprar, chapar e encher a cara.

Por que a sociedade não reage? Já que seus filhos são os que mais sofrem nesses rituais perversos? Por que as leis não mudam? Por que a polícia enxerga isso como festa da garotada?

Quantos jovens ainda precisam ficar cegos, queimados, com sequelas permanentes, por causa desta brutalidade insana? Quantos ainda precisarão morrer, vítimas de tanta violência? Quantos traumatizados por tanto assédio moral, tanta humilhação? Quantas bixetes (como chamam meninas calouras) sofrerão abuso e violação sexual, em nome desta tradição idiota?

- Eu não mereço tanto...

- "Eu sabia que havia alguma coisa errada... uma mulher como você, gostar tanto de mim.
É como se eu soubesse que você iria embora, a qualquer momento."


E ela foi mesmo...

Certamente, você já ouviu esta pequena frase: "eu não mereço tanto!". Para muitos, dita com surpresa, com humildade. Para outros, a mais pura revelação da verdade.

Você já viu alguém, que vive uma vida tranquila, aparentemente, feliz e que, de repente, joga tudo para o alto e perde a confiança de todos, além das perdas materiais? Saiba que este é o autossabotador!

Sabotagem é algo que se faz para impedir a conclusão de algum fato, ou tarefa. Neste caso, o sabotador age, algumas vezes, criminosamente, no sentido de bloquear acessos, destruir informações, impedir passagens. O sabotador é, normalmente, um sujeito invejoso que deseja que o outro não atinja seus objetivos... mas também pode ser um mero instrumento comercial, para impedir outrem de desenvolver determinada tarefa.

A sabotagem, normalmente, é algo pessoal e pode se desdobrar em muitos fins. Sabotadores, muitas vezes, desejam atingir seus objetivos, em detrimento do fracasso dos outros. Normalmente, é um sujeito sem grandes talentos, que não crê na própria capacidade e deseja presenciar o insucesso de alguém próximo (claro que existem outros mil tipos de sabotagem).

No trabalho, é aquele cara que apaga e-mails, some com documentos, furta, sonega, atrapalha.

Podemos ter sabotadores debaixo de nosso próprio teto. O cara que não deu o recado ao irmão, que que a entrevista de emprego foi marcada; a irmã com inveja da outra por ser mais bonita e fazer de tudo para que ela não namore o bonitão do segundo andar... e por aí vai.

O comportamento do sabotador é algo sombrio. Ele viva na escuridão, arquitetando, bolando sempre algo do mal. Este perfil é destruidor por natureza, mas é covarde. Age pelas costas, normalmente, sem deixar pistas. Algumas vezes, gera pistas contra um terceiro, para que o outro tenha a culpa... ele é sempre a pele do bonzinho, do tímido, do fechado. Mas é mau em essência.

O desejo dele é destruir o objetivo de alguém... seja por falta de capacidade própria, ou mesmo, por simples inveja da possibilidade de sucesso alheio.

A "sabotagem externa", chamemos assim, é um comportamento que, a meu ver, ter completa, direta e total relação com a autoestima. Aliás, este (autoestima) é um assunto que venho falando bastante, pois muito se fala, nesses tempos de exposição patológica, nos veículos sociais, da Internet.

O que é gostar-se, de verdade? O que é valorizar-se, de verdade?

Penso que há uma relação inversa entre exposição e autoestima. Ou seja, quase matematicamente, quanto mais se expõe (a si mesmo), mais se quer aprovação. Quanto mais selfies a pessoa faz, mais solitária se mostra, consequentemente, mais isolada, aumentando seu "desespero" em mostra-se... e se deseja incluir em determinado grupo.

Mas não é uma relação de mão dupla... pois poderíamos deduzir que, quanto menos se mostra de si, mais se gosta (de si mesmo). Mas isso não é verdade.

Apesar de os sabotadores terem comportamento sorrateiro, na ação da sabotagem, ele não tem um tipo certo de personalidade. Pode ser um cara legal, bonitão, bem relacionado... mas também pode ser um indivíduo retraído, fechado e tímido.

A autoestima não se conecta diretamente com o que se deseja demonstrar. A pessoa pode ter um comportamento, tipo palhaço da turma, mas se odiar profundamente, por não encontrar outro meio de chamar a atenção.

Onde quero chegar? No autossabotador! Aquele que prejudica a si mesmo, por ter a certeza de não ser merecedor de determinado cenário.

A infidelidade, por exemplo, é um dos maiores indicadores de baixa autoestima. Podem falar que é coisa de homem, coisa de tarado, coisa de piranha... sei lá.

Como uma pessoa, que vive um casamento, aparentemente normal, pode colocar tudo em risco, diante de uma traição.

Homens e mulheres traem com os pés nas costas. Mas, ao contrário do que acham, não traem o outro. Fazem isso a si próprios. Como explicar a infidelidade? Questão de culto ao corpo, apelo visual, necessidade química de provar outros sabores? Realmente, não dá para determinar o principal fato gerador de uma traição... isso é caso a caso. Para cada caso, há um motivo específico...

Mas, certamente, todos os casos de traição estão ligados à autossabotagem, à baixa autoestima.

Imagine aquela pessoa que faz parte de um novo grupo social. As pessoas à sua volta são legais, ele se sente seguro, acolhido e aquecido. De repente, ele se desloca do grupo. Inveta mil histórias, contrai dívidas, mente demasiadamente, cria micro grupos, semeia a fofoca, entre outras atitudes. Ele está cavando a própria cova. Não por maldade, ou inveja dos outros. Mas por ter a certeza que a casa dele vai cair, um dia... e que ele terá o que merece: a punição.

Autossabotadores trabalham, com afinco, contra si mesmos. Eles tem a convicção cristalina que não merecem viver, que não merecem a felicidade. Enxergam toda coisa boa como algo passageiro.

Quanto mais este indivíduo se sente acolhido, mais desconfortável vai se sentindo, por perceber, gradativamente, que na verdade, não faz parte daquele grupo e que merece ser expulso.

Então, ele começa a trabalhar para minar sua própria imagem.


Inicialmente sedutor, extremamente bem humorado, logo é aceito. Mas, aos poucos, sua figura sombria e sua instabilidade começam a agir em seu comportamento, o fazendo oscilar violentamente, com o tempo. Aos poucos, mina a confiança e toda a graça que contraiu, no início da entrada no grupo.

Aquele cara feio e bobo, que conquista a menina bonita. Quase ninguém acredita como aquela jovem bela foi se interessar por aquele cara (coisas do amor). Ele sabe que não merece aquela mulherão e começa a agir mal, no relacionamento. Ao ponto de as pessoas perguntarem: nossa, ele tinha tudo e jogou tudo fora. Este é o autossabotador. Que sempre vai achar-se um peixe fora d'água.

Este é um tipo que está sempre entre nós. Ao invés de investir na própria autoestima e entender-se capaz, perde seu tempo procurando formas de se punir por estar ali. Costumeiramente, desperdiça oportunidades cristalinas de êxito, de vitória. Não consegue conviver com o sucesso, pois sempre acha não ser merecedor.

A autoestima de uma pessoa está anos-luz além da forma como se mostra ao mundo, da propaganda que faz de si mesma. Está muito além dos sorrisos falsos que damos nas selfies, totalmente distantes do culto ao corpo, das viagens, dos amores. A autoestima é um encontro de amor consigo mesmo, de ternura com o próprio coração.

Autoestima não é perdoar os próprios pecados, ou fazer vista grossa aos próprios erros. Mas também, não esbarra na outra extremidade, onde a punição severa é o castigo merecido.

Quanto mais se sabota a si mesmo, menos se ama a si próprio.

Você é bonito do jeito que é, é único, é ímpar! Os padrões criados, na sociedade, nos dão um espelho turvo, onde só vemos defeitos em nossa própria imagem (exterior e interior). Aceite a si mesmo e busque formas de ser mais feliz consigo mesmo, fazendo aquilo que gosta e se rendendo menos aos apelos comunitários.

Só assim, fortalecendo uma autoimagem positiva, ganha-se força interior para sentir-se parte do mundo. A parte boa. Acredite que sua capacidade única de atrair coisas boas é reflexo de sua alma e que não há nada de errado com você, por ser diferente.


Entenda as derrotas como parte do jogo. Frustrar-se com frequência só aumenta o buraco de onde estamos e ficamos cada vez mais longe de sua borda.

Acredite em você, nos seus instintos e esqueça um pouco das diferenças que você tem para os outros, onde o feio e ruim, é você. Acredite que seu universo é valoroso, quanto qualquer outro e procure se enxergar com mais ternura e menos punição.

Você é SIM, capaz de ter aquela boa namorada, os melhores amigos, o emprego de seus sonhos. Basta você acreditar na sua própria beleza, na sua capacidade e esquecer que não merece as benesses que obtém, da vida.

Hoje eu faço 48 anos de idade. Agradeço a Deus por me manter são, neste mundo cão!

Tanto faz!


E aí, prefere Coca-Cola ou Pepsi?

Eu sou um bebedor inveterado de refrigerantes. Já tentei me livrar disso, mas é difícil. Já tentei viver de mates, sucos, beber água. Até água gasosa tentei, para manter a sensação... Mas, sempre que há uma opção, onde tenha um "refri", eu opto por ele.

Como todo "viciado" (palavra forte), não me importo muito com o tipo de refrigerante. Se tiver Coca, beleza... mas, se não tive, sem problemas, bebo o que tiver.

Assim funciona a cuca de alguém que está dominado por algo: tanto faz, desde que você saiba que são coisas similares, que seu organismo deseja.

A repetição do consumo, faz seu organismo, de certa forma, se acostumar e depender daquilo. A informação é enviada ao cérebro, que coordena a logística, até o consumo.

É claro que isso pode mudar. Conheço bebedores de refrigerantes mais alucinados que eu (muito mais), que hoje, nem querem saber deles... e, sem mágoa! Simplesmente, tomaram uma decisão na vida.

A simples observação das consequências geradas por qualquer vício, neste caso, de refrigerantes, mostra efeitos claros na aparência das pessoas e isso, pode ser um fator gerador de mudança. Mas são poucos que conseguem este "insight", te fazendo mudar e enfrentar o vício.

Mas não é sobre isso que eu quero falar... ainda.

Agora, aqui entre nós: existe algo mais deprimente do que dizer, "tanto faz"?

Optar pelo que tiver, além de triste, mostra que seu organismo está escravizado e não se importa mais e, consequentemente, seu cérebro está dopado.

Há um tempo atrás, tive um problema com meu celular, pois as tarifas estavam caras demais, os serviços, pra variar, muito ruins, entre outras tantas observações. Pensei e desejei trocar de operadora.

Comecei a pesquisar as vantagens e desvantagens das operadoras disponíveis, e cheguei à deprimente conclusão que todas são equivalentes, pelo menos, para meu perfil de utilização. O que uma tem de vantagem em relação à outra, possui, também algumas desvantagens.

Na média, e pensando de forma fria, todas são equivalentes e, minha decisão foi a de manter minha linha móvel com a  mesma operadora. Ou seja, tanto faz. O que eu iria ganhar em uma coisa, perderia em outra e, na média, é trocar seis por meia dúzia.

Assim funciona com operadora de TV a cabo, plano de saúde e por aí vai...

Acabo percebendo que somos prisioneiros de opções gêmeas, com pequenas diferenciações. Gêmeas quase idênticas, que nos fazem boiar e manter os níveis de (in)satisfação. Ou seja, acabamos nos conformando com o imperativo desejo do sistema.

Como os governos não fazem nada, continuamos escravos dessas coisas, que pagamos caro (em alguns casos, os preços mais caros do mundo), para ter serviços, produtos de baixíssima qualidade.

Falando em governos, também percebemos a equivalência de qualidade entre os governantes/partidos. Afinal, todo mundo rouba. Afinal, todo mundo enrola. Votar entre direita ou esquerda, tanto faz, já que a corrupção não tem cor, não tem tipo... está no DNA, no sangue do brasileiro.

Vou pagar minhas contas por que? Se tanta gente me deve e não paga... e continua me olhando nos olhos? Qual a consequência, se eu não pagar? Tanto faz, ser preso ou ficar com o nome sujo...

Pensar assim é ter a certeza fazer parte deste tumor maligno que nos ronda. É o desânimo para a mudança... a apatia da vida. Olhar entre o azul e o vermelho e dizer tanto faz é a mais cabal prova desta hipnose social que vivemos.

Noutro dia, uma amiga, que passa por uma crise séria no casamento, em uma conversa, me disse essas palavras: "Edu, já pensei em me separar. Mas vou ter a maior dor de cabeça para desfazer o que levei anos para construir e, depois que voltar a ser solteira, vou ficar carente, atrás de companhia, me sentindo mau e etc. Vou conhecer alguém, casar, ou me juntar, para, no fim... ser a mesma coisa. Ou seja, Edu... para ter outro marido, com as mesmas coisas, tanto faz. Já que eu sou/serei a mesma pessoa."

Ao ouvir este relato, me veio uma dor, quase física, no coração. Como pode alguém estar desanimada com o "sistema", para pensar e verbalizar isso, em forma âmbito tão pessoal? Então, posso imaginar que, tanto faz, viver ou morrer. O mundo será o mesmo. Os que ficarão tristes hoje, não estarão assim amanhã...

A era do tanto faz, com um país paralisado, com uma sociedade viciada, nos faz diminuir o ímpeto de mudança, o desejo de ser mais feliz (ou menos infeliz). Esta conscientização diminui o sabor da vida, a delícia do viver.

Estar apático, diante de uma decisão, mostra o total desânimo sobre as coisas.

Você fala para sua namorada (seu namorado): "amor, o que você quer fazer?". Se ela(ele) disser o temido "tanto faz", cuidado. Ele(ela) pode estar sofrendo de apatia social. Mas, se a frase de resposta, vier acompanhada de "desde que você esteja comigo!" e, em seguida te der um beijinho, nem tudo está perdido.

Falar tanto faz, não mostra nada de positivo, quase sempre... Tente fugir do tanto faz, seja ela indecisão ou apatia. Procure sensibilizar seu paladar, apurar o gosto e atender aos desejos de seu coração. Pois, mesmo sem ouvi-lo, muitas vezes, ele fala, se expressa, deseje, sente. Além de mostrar ao outro, que você se importa, que deseja, que tem personalidade.

Confesso que, às vezes, dá uma preguiça danada de escolher o tempo todo. Escolhas erradas, vez ou outra... o que nos faz desanimar, diante de uma vida tão dinâmica. E este cansaço, ou apatia, frente às escolhas é o maior dos sinais que algo está errado e deve ser investigado e resolvido.

Coca-Cola é bem diferente de Pepsi, apesar de estarem na mesma categoria. Procure degustar com cuidado, perceber as diferenças... cada uma delas tem suas particularidades... e não se deixe dominar pela pouca importância que cada decisão tem e mostre sua opinião, mesmo que seja só pra você.

O "tanto faz" de hoje, pode ser o silêncio de amanhã... É um corte no coração, que sangra e te tira as forças, e impede que ele bata forte, por algo... Aquele silêncio corrosivo, já sem voz de tanto sofrer.

Se eu discordar, vou apanhar?


Tenho o privilégio de viver num tempo, onde testemunhamos a mais rápida mudança do mundo. Se bem que, talvez as próximas gerações vivam maior volume de mudanças. Mas, até então, não vejo outra época onde as coisas mudaram (e mudam) tanto.

Muito se fala em liberdade... se você abrir os olhos (e os ouvidos) verá, por toda parte, gente defendendo a liberdade de se expressar, a opinião. É quase sagrado este direito... e a Internet só corrobora esta gigantesca democratização.

Eu acho bem legal que as pessoas, de forma geral, defendam a liberdade... seja ela de expressão ou de qualquer ato, ou escolha que se faça. Teoricamente, é a visão do mundo transparente, honesto.

Mas, na prática, infelizmente, não tem funcionado com o mesmo sucesso. Afinal, onde há pessoas (seres humanos), dá merda!

Muitos são os temas controversos que vivemos nesses dias, onde as redes sociais dão voz a qualquer pessoa que tenha uma conexão de Internet. Estamos falando da melhor e da pior pessoa do mundo. Se ela tiver a conexão, o peso (ou volume) de sua voz passar a ser igual ao de qualquer pessoa... basta se pronunciar.

Não vou abordar aqui, mais uma vez, este tema. Afinal, eu sou um observador crítico da evolução social que vivemos... além de ser cansativo falar sempre o mesmo blá blá blá, que todo mundo já sabe. E eu não curto chover no molhado.

Voltando aos temas controversos, uma coisa tem me incomoda demais, que é a blindagem que muitos fazem às chamadas, "minorias".

O ar fica irrespirável quando pessoas, que se colocaram no lugar dessas minorias, e passaram a defender veementemente, principalmente, nas questões de gênero. Não sou preconceituoso. Nem ligo se o cara é gay, ou metro..., se a menina é bi, ou homo... ou sei lá o que.

Nesses últimos cinco anos, parece que as "minorias" (acho que eu vou sempre escrever esta palavra, entre aspas) se levantaram da tumba, onde viveram por séculos e mais séculos e resolveram ficar perfeitas.

Conversando com uma amiga, que é militante gay, simpatizante e até extremista do movimento colorido, pude observar o bom esteriótipo desta blindagem, num comportamento pra lá de radical.

Nesta conversa, amistosa, comecei a perceber que ser gay é o que é certo, na vida... segundo o que ela dizia. No seu discurso, gay não trai, não é mal educado, não é sujo. Só faltou verbalizar que ser gay é ser o verdadeiro ser humano. Eu fiquei olhando para a cara dela e pensei: caramba... se eu discordar de alguma coisa aqui, vou apanhar.

Aí, resolvi pincelar algumas opiniões, mostrando que a comunidade gay também pode praticar corrupção, pode ser violenta com o parceiro, abusar dos filhos (próprios ou adotados). Eu conheço um gay, gente muito boa, mas é porco demais. O bicho fede. Mas eu tenho até medo de dizer que ele fede, que não toma banho... pois corro o risco de ser taxado como homofóbico.

Isso é chato, cansativo. Ando com preguiça de pensar neste assunto. Mas precisava escrever sobre isso para, pelo menos, refletir, ainda que comigo mesmo.

Se eu falar mal da roupa de um cara que vi na rua, aparentemente hétero, tudo bem. Mas se eu criticar a roupa de um cara, aparentemente gay, estou sendo homofóbico. E, você sabe... homofóbico é o diabo, que merece ser fatiado e queimado em praça pública.

Se eu, carente que sou, observar um casal se beijando e, de alguma forma me sentir incomodado (ainda que com inveja), tudo bem. Mas se este casal foi gay, tô na cruz.

Acho que estamos vivendo um tempo onde precisamos apenas 'viver' (perdoe-me a redundância). Pra que tanta chateação, no tocante a este assunto? Talvez, eu tenha um olhar cansado porque não sou gay, não sou alvo, não sou vítima deste preconceito triste (como se houvesse preconceito feliz).

A pimenta arde diferente nos olhos de cada um, principalmente no outro. Então, talvez eu esteja falando de camarote, como observador entediado em ver tanta gente discutindo o indiscutível.

Se você quer saber a minha opinião, o mundo jamais deixará de ser machista, ou ter preconceitos de gênero, cor (não vou chamar de raça), contra deficientes, contra a mulher.

Acho que tudo ainda está bem no começo. E, consequentemente, tem muito para mudar.

Hoje em dia, diante de uma notícia qualquer, que envolva qualquer controvérsia, é facilmente percebido e detectável, que pessoas serão contra e quais serão a favor da coisa. Basta avaliar quem está comprometido. Eu ainda não vi, nas redes sociais, um gordo falar mal de uma nota sobre obesidade... ou mesmo, um negro apoiar o preconceito de cor... e um gay, discordar de algo deste universo.

Será que, se eu discordar, vou apanhar? Será que as pessoas, que vivem esta ampla liberdade de expressão, estão prontas para contra argumentar? Será que estão articuladas, para entender pontos de vista diferentes dos seus? Será que nossa amizade continuará, se eu discordar de você?

Enquanto me mantenho calado, ou concordando, me mantenho no grupo, no jogo... mas... e se eu for contra? Será que ainda serei aceito, com a mesma harmonia?

É claro que depende da forma... do jeito como se contesta algo, da educação, da propriedade, do conhecimento, da experiência. Acho que educação e respeito são os itens mandatários, para casos assim.... e para tudo na vida!

Vale mais à pena eu me calar, para manter a paz e a harmonia, num grupo? Neste caso, calado, o oprimido serei eu?

É por isso que eu sou contra aquela coisa chamada de tolerância. Não temos de nos tolerar, temos de nos respeitar.

As relações estão por um fio, ou por uma opinião. E, justamente, quando se prega tanto que devemos aceitar o outro como ele é.

Será que o preconceito é mais praticado por aqueles que o sofrem?


É uma questão para refletir... e é o que vou fazer. Pois tudo esté meio confuso e contraditório.

Uma competição macabra ou um comportamento cruel?


E aí, tudo bem? Aparentemente, é uma pergunta sem qualquer objetivo, um cumprimento, uma saudação. Quem te faz esta pergunta (ou quando você a faz) não deseja, realmente, saber o que se passa com o outro. É apenas um "oi".

Esta, e outras tantas formas que usamos para simbolizar este mundo corrido, os jargões usados pelos amigos, as formas corriqueiras... se forem interpretadas, ao pé da letra, pareceremos as pessoas mais legais do mundo...

Querendo saber como estão os outros, se colocando ao dispor "para o que precisarem". Conte comigo, a qualquer hora, em qualquer lugar.

Mas não demonizemos os outros. Fomos criados para parecermos legais. E usamos essas expressões como meras ilustrações, sem qualquer importância, apenas mantendo um protocolo de convivência.

Mas, por um momento, imagine... imagine se você pergunta a um colega se está tudo bem com ele, passando num corredor qualquer. Após a pergunta corriqueira, ele pega no seu braço e diz que não está nada bem... e começa a despejar um monte de lamúrias e insatisfações.

Você fica pensando que talvez não mereça aquilo, mas foi você quem perguntou.

Experimente fazer ao contrário. Quando alguém te perguntar se está tudo bem, responda de verdade. E você vai ver como a pessoa reage.

Somos competitivos. A quase totalidade dos seres humanos, que vivem nesta sociedade insana, possuem um comportamento de competição. É a busca constante que vivemos... como disse o psicanalista Contardo Calligaris, somos forçados a viver na insatisfação, para que sempre estejamos correndo atrás... buscando satisfazer, seja lá o que for.

Viver na insatisfação nos coloca numa posição de desfavorecimento, diante da sociedade, diante do próximo, do outro, do amigo,

Repare bem... quando você conta a alguém sobre um problema, uma dificuldade, uma dor física... você sempre ouve dele algo similar.

Noutro dia, conversando com um amigo, disse a ele da inflamação que tenho na base da coluna... o quanto aquilo me incomodava e o quanto doía... O cara estava sempre bem, mostrando sempre que estava tudo ok... de repente, ele despejou tantos problemas de saúde que quase ligo para o SAMU (aliás, o número do SAMU é 192... não se esqueça!).

O cara começou a falar e eu lá olhando pra cara dele e pensando: "caraca, o cara tá mal... ou está maluco. A sensação que eu tive foi a que ele queria ganhar! Isso mesmo... ganhar de mim, no problema de saúde.

Conte a alguém que seu emprego está em perigo. Logo, vai ouvir dele que está prestes a ser demitido, que o chefe o odeia, que sofre bullying no trabalho, que tem frieira no pé e o cacete!

Fale que está sem dinheiro, endividado. Logo, aquele seu ouvinte, também te contará que está encalacrado de tantos problemas, dívidas, despesas de hospital... Chega a ser engraçado. O que seria isso? Medo de encarar um pedido de dinheiro emprestado? Quanta bobagem... é só dizer não.

É impressionante reparar como sempre vai haver sempre alguém pior que a gente, quando contamos alguma coisa, não tão boa. Mesmo que não esteja tão mal assim... Seria isso um tipo de espírito competitivo? Ou medo de assumir que está mesmo tudo bem e correr o risco de sofrer a inveja daquele, menos favorecido, naquele momento?

Para que não nos sintamos na "obrigação" de oferecer ajuda a quem nos revela qualquer dificuldade, nos nivelamos por baixo, mesmo para dizer, indiretamente, que não podemos ajudar... Daí, despejamos naquele que já está mal, nossos problemas imaginários, e até mentiras... tudo para fugir do outro e daquele astral pesado.

Competição ou não (é claro que eu puxei um gancho para falar do assunto), esta forma de se relacionar mostra uma enorme impessoalidade, mesmo entre amigos. Para alguém que te confidencia um problema, seja uma unha encravada ou câncer na família, agir de forma impessoal é a maior das crueldades. É querer sair bem de uma saia justa, mas que se transforma em desfecho cruel.

Pra que falar de lamúrias a alguém que te escolhe para desabafar problemas? Para fazer com que se sinta melhor em ver que não é o único com problemas? Seria nivelar a coisa por baixo, para fazer sentir-se melhor? Tantas perguntas... e acredito que, cada caso, é um caso.

A única coisa que penso, na verdade, é que somos sim, muito competitivos e que este comportamento nos blinda, como defesa de qualquer mal, dentro do nosso espectro de crenças, medos e superstições.

Temos uma vida corrida e vulnerável demais. A competição nos transforma em potenciais egoístas, sempre lutando por uma parte no bolo, um quinhão qualquer, para que nos sintamos menos mal, diante de tantas perdas.

Somos massacrados, diariamente com preços altos, impostos, leis injustas, corrupção. Sofremos demais, vendo mortes na TV, violência desmedida. Isso tudo, e mais tantas outras coisas, nos transformam em bichos na selva, onde garante o almoço aquele que briga mais, que cede menos, que fala mais e ouve menos. Estamos mesmo caminhando para sermos selvagens competitivos...

Desde pequenos, criamos nossos filhos a serem os melhores, a se destacarem. Berramos como loucos nas escolinhas de futebol e cursos de artes, alardeamos o talento de nossos pequenos... e, só aumentamos neles, o sentimento de fracasso e frustração, à medida que não conseguem corresponder à enorme pressão que exercemos sobre eles...

Muitas vezes, são as frustrações dos pais que são passadas aos filhos, como heranças de vida. Esta é a pior das heranças...

Farinha pouca, o meu pirão primeiro. E é sob a ordem desta lei, vamos vivendo... seja para o bem (trabalhando mais e mais), ou para o mal, não deixando que o outro seja mais que a gente, mesmo que esteja mal... é como inverter a polaridade das coisas...

Quanto mais alguém fala que está bem, mais inveja desperta. Mas quando fala que está mal, sempre tem alguém pior que ele. É algo que merece estudo, ou no mínimo, uma poderosa e minuciosa observação.

De qualquer forma, viver é um desafio incrível. E viver numa sociedade viciada, é mais desafiador ainda. Que possamos ver a competição como um se fôssemos o componente de um time, onde cada um é uma peça, estrategicamente colocada naquela posição, e que colabora para chegarmos, juntos, ao gol, à cesta, ao ponto...

Seja lá qual for o resultado do jogo da vida, o que importa mesmo não é nem o competir... e sim, se divertir e tirar de cada jogo, cada lição, cada lance, o melhor. Que possamos sentir o que a vida significa, sem essa de querer sobressair... 

E, sendo inevitável a competição, que seja no espírito do desporto, onde se ganha e perde, mas se mantém a boa essência, o caráter e a dignidade.