Futebol: merda no ventilador? Deixa feder...


Xiii... o futebol do Brasil corre o risco de acabar, diante do maior (e pior) escândalo da história, a manipulação de um resultado, através do pagamento de suborno, na última rodada do campeonato brasileiro, do ano passado.

Existe envolvimento do Flamengo, do Fluminense e da Portuguesa.

Após o ingresso da "lusa" (apelido da Portuguesa) na justiça comum, contra as decisões do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), e com as investigações em curso, foi concluído que a equipe paulista, recebeu propina de alguém, para "deixar passar" a escalação um jogador irregular (punido anteriormente por cartões amarelos e impedido de participar do jogo), acarretando a perda de pontos, que o levaria à segunda divisão do futebol.

Tudo ainda é uma suspeita... E, diante do recebimento do suborno, as investigações estão avançando muito, com, inclusive, a quebra de sigilo bancário dos possíveis recebedores (cerca de 6 pessoas na Lusa, que receberam até R$ 20 milhões).

Se alguém recebeu, outrem pagou!

Os suspeitos, neste caso, que serão investigados a fundo são: Flamengo e Fluminense. E o clube que pagou para se beneficiar, penso que corre riscos de suspensão de competições oficiais, até o banimento do futebol. Não existe cesta básica num caso como este!

Que a justiça, em sua investigação profunda, seja feita e que o clube envolvido (seja lá qual for) na corrupção ativa seja mesmo seriamente penalizado...

Acho que toda esta confusão, e também burburinhos dos anos anteriores, como favorecimento de resultados, bairrismos e etc, mostra um tipo de falência do formato de pontos corridos, pois o Brasil é um país muito dividido, nas mais diversas referências... o que aumenta muito os riscos de micro campeonatos dentro desta mega competição, com interesses diversos para todos os lados.



Faz tempo que eu já não torço para futebol. Mas todo mundo sabe que sou flamenguista de coração, desde que nasci... E, desde que passei uns dias no interior do Flamengo, em 2005, desenvolvendo um projeto de telemarketing... Ouvi e vi coisas que vão totalmente contra o amor ao clube, a paixão e a moral. E ainda ouvi dos dirigentes que todos os clubes agem da mesma maneira...

E eu acredito mesmo nisso. O torcedores, os verdadeiros mantenedores desses escudos, quem sustenta mesmo o futebol, são os mais desrespeitados, mal tratados e desconsiderados. Mexem com a paixão do povo como se fosse um mero agente para ganharem dinheiro...

Já vivi dias também no Vasco, no Botafogo. Conheço os clubes... Eles sempre trataram seus torcedores como manadas e isso nunca vai mudar. E acredito mesmo, que todos sejam assim.

Diretorias vão e vêm... são pessoas. O clube fica e as pessoas vão. Mas se essas pessoas pagaram para não cair, seja quem for, já era. Será uma marca que ficará para sempre e jamais deve ser esquecida.

Caso se confirme o envolvimento da Instituição (pois, diz a regra que a Instituição é sagrada), para mim, não será surpresa nenhuma... e que a mão da falha justiça possa bater forte em quem fez esta cagada!

Já estive em mutas mesas de negociações. Já visitei mais de mil empresas e posso dizer, com muita tristeza. A grande maioria age de forma corrupta, sempre buscando a vantagem escusa.



Empresas com belas imagens, mas com pessoas podres. Clubes, com histórias gloriosas, mas administrados pela escória, que merece mesmo a cadeia, como habitat natural.

Num mundo (especificamente o Brasil), onde governos são os maus exemplos, corruptos, declaradamente, até a raiz dos cabelos, roubam o dinheiro dos que mais precisam e zombam do povo, por que deveríamos pensar, ou esperar diferente dos demais membros de nossa sociedade?

O fato de pessoas serem corruptas, elas estão chanceladas, eleitas, indicadas... e representam, oficialmente suas empresas, instituições, clubes... o que for! Portanto, se for provado o crime, que todos sejam punidos!

Em se tratando de um assunto que promove tanto a paixão, e pressupondo-se que houve, de fato, suborno, este pagamento poderia vir de qualquer parte: do clube e seus dirigentes legais, dos seus patrocinadores ou mesmo de um torcedor milionário alucinado e desesperado, evitando a 'vergonha' de cair para a segundona.

Sou flamenguista e posso falar do Flamengo e das consequências, caso ele seja o responsável, preciso me manifestar como torcedor... Do fluminense fale quem é tricolor. Mas que a verdade apareça! Pelo bem do já tão desmoralizado futebol...

Brincadeiras e provocações a parte, se provado for, todo este emaranhado de confusões, será a morte moral do culpado! E eu ajudarei a jogar terra no túmulo, mesmo que seja o meu Flamengo!

Doa a quem doer.

A idade do silêncio


Quem já não ouviu aquela frase, mais que batida, que diz: "uma imagem vale mais que mil palavras...". Também tem aqueles ditos populares que enfatizam o silêncio, como qualidade de sabedoria...

O silêncio entre as pessoas, em muitas questões, é adotado como resposta, como recado, e em diversos outros momentos... o silêncio já serviu como aliviador de tensão e de tantas outras formas.

Uma outra famosa frase do silêncio, talvez a mais falada e popular é o que vem do latim "Qui tacet, consentire", que diz: "quem cala, consente".

Existe até um blá blá blá nos dias de hoje, dizendo que quem cala, nem sempre consente... tem é preguiça de se manifestar e entrar em discussões idiotas e etc...

Muitas vezes, com a presença do silêncio numa conversa, ou relação, a linguagem corporal é acionada. Expressões faciais também são comuns.

Dizem os especialistas que o ser humano, em suas formas de se comunicar, sinalizam que 70% de nossa emissão seja por linguagem corporal e expressões da face, que são usadas como complemento à linguagem falada. Mas também, essas formas de comunicação, nos surpreendem, desmentindo o que é dito, algumas vezes.

A boca diz uma coisa, e o corpo diz outra. Os olhos, que são as janelas da alma (outro dito famoso), quase sempre nos contradizem. Uma mentira falada, pode ser facilmente desmascarada pelo olhar e até mesmo pela expressão corporal...

O pessoal de RH (Recursos Humanos) adora certos tipos de regras, da psicologia... Em entrevistas de emprego, candidatos são eliminados pelo mau uso das mãos, enquanto falam de suas carreiras e respondem às previsíveis perguntas dos estudiosos daquela área...

Mas é claro que há fundamento. O corpo fala. Não há discussão. Mas é fato também que, cada um, age e reage de uma maneira. Suor nas mãos quer dizer uma coisa, para o sujeito A, mas não necessariamente, seja a mesma coisa para o sujeito B. O que quero dizer é que, em se tratando de ser humano, não podemos usar regras e receitas de bolo para desvendar pessoas.

Cada qual é um universo, com milhares de pontos variáveis... cada um reage de uma forma diferente, ao mesmo estímulo. E as regrinhas criadas podem ser elementos que colaboram para uma análise... mas que não definem nada, isoladamente.

Este rolo todo, que escrevi, acontece na comunicação entre as pessoas, tete-a-tete. Até mesmo por comunicação por vídeo-conferência, Skype... ou mesmo, por telefone, onde o silêncio também fala, mas a percepção é mais complexa e específica...

Mas... e na comunicação escrita? Aí, o buraco é mais embaixo...

A comunicação escrita existe desde que o homem se entende por gente. Dos antigos papiros, onde se documentava praticamente tudo, que hoje nos servem como a mais preciosa história de nossa criação... e com o passar dos tempos, cartas escritas à mão, davam todos os contornos às histórias mais lindas, românticas... Grandes comandantes trocavam cartas estratégicas de posicionamento de tropas, em guerras que duravam anos... Napoleão, era um dos caras que mais escrevia cartas, em suas articulações diversas, para conquistar o mundo...

Apesar de do tempo, medido nos relógios... e do planeta Terra, girar na mesmíssima velocidade, desde sempre, é inegável que o mundo era mais lento. As coisas aconteciam devagar... tinham seu tempo... o que imprimia uma necessidade maior de cartas mais elaboradas, recheadas de informação...

Parecia não haver pressa.

O planeta girou e os relógios não pararam... e o mundo foi acelerando, como se estivesse na banguela de uma extensa descida... à medida em que desce, a velocidade aumenta... até chegarmos nos dias de hoje, observando uma velocidade alucinante, nas coisas e bagunçando a dinâmica dos relacionamentos entre as pessoas.

O mundo mudou! Vivemos uma nova era... tudo é mais rápido, dinâmico mas, nem sempre, melhor. As pessoas, nos dias de hoje, se comunicam com muito mais pessoas, em um dia de vida, do que a vida, em um ano, nos tempos idos.

Fazendo uma rápida pesquisa, pode-se afirmar que entre as milhares de palavras que o homem (e a mulher) usa para se comunicar, grande parte (estima-se 35%) dessas palavras é emitida de forma escrita. E este percentual só cresce...


Com relação ao número de pessoas que nos comunicamos, todos os dias, pode-se afirmar, com segurança, que nos falamos com mais pessoas, por escrito, do que pessoalmente, de forma verbal (falada)... estima-se a proporção de 25% mais...

Ou seja, quando você fala com dez pessoas, por voz; se comunica com outras 13, por escrito, nas mais diversas formas, que temos hoje [mensagens de texto (SMS, WhatsApp, chats), instantâneas (skype, faceTime), e-mails, e nas queridíssimas redes sociais, onde parece que encontramos nossa forma atual (da moda) para uma comunicação rápida e segura].

Há uns anos, com este crescimento alucinado da comunicação escrita, as pessoas passaram a evitar o contato pessoal (ou telefônico), elegendo o e-mail como formato de comunicação usual. Afinal, o que se escreve fica registrado, evitando, assim, problemas de comunicação e eventuais confrontos...

Aliás, a palavra confronto (no âmbito da psicologia) está mudando seu significado, com esta 'nova ordem'. Antes, confrontos entre pessoas eram bradados em alto som, algumas vezes. Pessoas, em conflitos, aos berros, para se fazerem entender...

Já tive chefes que não saíam do escritório, só escrevendo e respondendo e-mails. Muitos, até, evitavam falar ao telefone. No Rio de Janeiro, um ex-Prefeito ficou famoso por só querer resolver as coisas por ex-mail... levou a cidade ao caos profundo, numa crise de comunicação, sem precedentes...

Muitas pessoas se escondem atrás da "praticidade" das diversas formas de comunicação para se manifestarem sem emitir som. Algumas vezes, por timidez, outras, por falta de coragem mesmo.

Hoje, os confrontos são realizados em silêncio... tudo por escrito, mas que sejam realizados com pessoas numa mesma sala. Coisa de maluco... Isso mesmo, já presenciei casos, em empresas, onde pessoas, em salas próximas, separadas por divisórias, iniciaram conversas trocando farpas, chegando a uma situação de rompimento de relação, sem uma palavra verbal ser dita. Tudo por short messages. É o cúmulo dos cúmulos.

À medida em que o tempo passa e com o alto grau de exposição que as pessoas são submetidas, neste 'mundo novo', suas fraquezas, defeitos e temperamentos ficam muito mais visíveis, aumentando exponencialmente as possibilidades de serem evitadas, sem ao menos, serem testadas. Tipo: "Sei que o fulano é chato... então, nem chego perto!"... e quando chega perto, muitas vezes por necessidade profissional, já vai na defensiva, cheio de pedras nas mãos.

Nos dias de hoje, nas redes sociais, por exemplo, é muito interessante observar como as pessoas estão estranhas. Elas usam o silêncio para quase tudo... pois sempre que se manifestam, dá conflito. Principalmente para quem emite opinião, para quem tem a personalidade mais forte...

Entre duas pessoas, o silêncio, quase sempre, determina que o futuro da relação será o esvaziamento. Mas, ao mesmo tempo que se calam, que aparentemente se ausentam, estão mais próximas do que nunca. No Facebook, por exemplo, a pessoa vive fuxicando a tua vida, mas não dá uma palavra. Mesmo quando é chamada a opinar, se manifesta com o famoso 'like' (curtir)... dando ao outro o recado mental que não quer papo... e as relações vão esfriando a cada dia, a cada movimento.

O silêncio faz estragos, gera sentimentos e provoca até mal entendidos. Como pode? É o som do silêncio... a ventania gerada com seu movimento, o barulho e o estrago que causa ao se fazer presente.

Hoje em dia, quem cala, não consente mais. As pessoas se abstém, se esquivam e fogem dos confrontos pessoais. Mas não entendem que esta ausência calcifica relações, as endurece e torna as coisas frias...

Vejo amigos de longa data, lado a lado nas mais diversas postagens idiotas, que todos emitem, todos os dias, mas que não se falam mais... e este estremecimento virtual, começa a vazar para o mundo físico.

Amigos de verdade, de longa data, passaram a figurar em sua lista de amigos como figurinhas num álbum... como mera decoração. Fica lá, como um robô, mandando recadinhos e indiretas, criando códigos, através dos likes onde clica, para se mostrar presente.

Do jeito que as coisas estão, voltaremos a idade em que não falávamos, apenas urrávamos, como os bichos... estamos perdendo a capacidade de falar, de nos comunicar com argumentos e, com isto, estamos perdendo a razão...

É ensurdecedor o barulho que o silêncio pode causar. O buraco, entre as pessoas, só faz crescer. A distância, o vácuo.

É o mundo, as folhas do calendário, passando, quase automaticamente. Os dias, sempre iguais nas suas 24 horas, passando cada vez mais rápidos. E as pessoas cada vez mais distantes, usando o silêncio como escudo, como arma ou, simplesmente, como ferramenta para expressar o quanto é pobre, limitada e covarde.

A minha querida Martha Medeiros, tem um trecho de um de seus maravilhosos textos, que diz: "O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há e-mails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica e, mesmo assim, você entende a mensagem." Será?

Muitas pessoas que se comunicam pelo silêncio, tem a intenção e a pretensão de se fazerem entender, quando se calam. Mas, quase sempre são mal entendidas e causam os maiores problemas. A responsabilidade de se fazer entender é inteira de quem emite a comunicação e a linguagem do silêncio é tão universal que seu entendimento precisa de enorme sensibilidade, para ser entendido.

Silêncio já foi sabedoria. E há uma brutal diferença entre se abster, se calar e silenciar.

O editorial da dor


Opinião:

Não tinha tido oportunidade de ver este vídeo, que tanto andam badalando por aí, onde o Jô Soares faz uma homenagem ao seu filho, o Rafinha, falecido, na semana passada, em seu programa, na TV Globo, exibido na última segunda-feira, dia 31/10.

Rafinha, que se foi aos 50 anos de idade, era uma pessoa especial, um autista, com todas as características clássicas de alguém que porta esta síndrome.

Me recuso a chamá-lo deficiente, e uso a palavra 'especial' torcendo o nariz. Acho que ainda não sabemos lidar bem com as pessoas ditas diferentes, frente a esta sociedade que construímos, com regras, leis, valores e etc.

Mas eu acho que posso compreender bem o volume imenso de dificuldades e constantes superações que uma família precisa ter para tocar a vida, neste mundo torto e torpe.

Blá blá blás a parte e, voltando à fala do Jô, e conhecendo-o, em todas as suas características públicas (e outras nem tanto), não me surpreendi com o que vi. Pois, na verdade, o que assisti neste vídeo, foi uma singela homenagem de um cara para outro. Um admirador, que ressalta as qualidades e virtuosidades de alguém. Não vi um relato de um pai.

Não vi a palavra "amor" ser falada, em nenhum segundo, no vídeo (e nem nas entrevistas que deu). Não senti emoção em seu relato. Falou com carinho, com orgulho. Óbvio, é fruto do gênio!... e ressaltou as qualidades dele, todo tempo.

Não sou especialista em Jô Soares. Mas, conhecendo sua "fama underground" nada mais poderia esperar dele, diante da dor profunda de um pai, que perde seu filho.

Cada um lida com a dor de uma forma. Quando meu pai morreu, não consegui chorar, nem no momento da notícia, muito menos no velório... dificuldade esta que, me segue até hoje: a de chorar.. Mas desabei, muitas vezes, durante a vida, me debulhando em lágrimas nos momentos que mais precisei dele, nas horas mais difíceis, terríveis, que obrigatoriamente, passamos na vida.

E, sem querer julgar a dor ou o sofrimento alheio, pode ter sido que suas lágrimas tenham se esgotado antes de gravar a tal homenagem. Mas, para mim (exclusivamente) o que ficou, foi apenas um editorial frio, uma "notinha de imprensa", que saiu da boca do próprio Jô. Nada mais.

Jô Soares, ao longo de suas milhares de entrevistas, dos milhões de fãs e zilhões de risadas e gargalhadas arrancadas das pessoas, com tanta inteligência e cultura, mostra que realmente ainda precisa melhorar muito, como gente. Assim como todos nós precisamos.

Cada um expressa dor de um jeito. Cada um sofre de uma maneira. É possível morrer de sofrimento sem que ninguém perceba... Mas, já que estamos no showbiz, da TV, quando as luzes dos holofotes e dos 'rec' das câmeras se acendem, opiniões estão sendo formadas e não faz mal nenhum mostrar um pouco mais de emoção, de compaixão. Ninguém é obrigado a ser, e nem parecer forte, para se manter de pé.

tudo bem também que, ninguém é obrigado a externar suas emoções, por onde passa. Nenhuma 'celebridade' é obrigada a mostrar sua vida privada, revelar suas reais intenções, demonstrar emoções. Mas a 'causa' é outra.

Já que era uma homenagem feita "para a galera", e em respostas às mais de milhares de mensagens recebidas, não custava dizer que amava seu filho autista. Falar a palavra amor significa muito neste momento! Seria um belíssimo exemplo a tantos pais de renegam e abandonam seus filhos, quando um só dedo lhes falta no pé.

Jô Soares é responsável, como toda figura pública, a educar o ser humano que o assiste. A televisão é responsável pelo que vincula. Enfim...

Rafinha se foi e a vida segue. E... um beijo do gordo. Só!

Aqui, o link do vídeo, com a homenagem madura, de um pai ao filho morto... http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/jo-abre-o-programa-de-forma-diferente-e-faz-uma-homenagem-ao-filho-rafael/3740735/