O Brasil no BBB. E o Rio, no Paredão!!!

Ficar em evidência, nem sempre é confortável. A berlinda que coloca os holofotes do mundo no Brasil vai, enfim, mostrar nossa verdadeira cara!


Voltemeia, eu abordo aqui os aspectos do BigBrotherBrasil. Na verdade, reality shows me despertam curiosidades diversas... desde a espontaneidade e verdade dos participantes, às tentativas de manipulação do controle do programa. Se o primeiro mostra quem a pessoa é, o segundo só pensa na manipulação e favorecimento a interesses, dos mais escusos, diversos...

Lembro bem que, quando saiu na mídia, o anuncio do BBB 1, eu tive vontade de me inscrever. Imagina ganhar dinheiro sendo quem você é? Eu pensava...

Aí, lembro muito bem... que fui ver o questionário para responder e tentar me qualificar e, ao perceber que eu seria dissecado como um cadáver, julgado em praça pública e que minha vida (em todos os seus setores) seria dissecada, ao ponto máximo, eu desisti na hora!

Não por medo que algo pobre aparecesse no Reino da Dinamarca (afinal, todos temos algo podre dentro da gente)... e se você ainda não conheceu o seu lado, logo ele lhe dará um "oizinho".

Imagina todo mundo, sem exceção, saber quem você é? Imagina te julgarem, sem te conhecer? Eu corri da ideia e me contentei, alegremente, em ser telespectador.

E uma coisa ficou muito clara para mim: participar de um programa como esse, pode ser a glória de uma pessoa (para quem quer fama instantânea), mas também pode ser um pesadelo, para toda a vida. Vide casos dos BBBs mau caráteres que se queimaram pela vida inteira e perderam suas identidades, sendo marcados para sempre.

Aí, hoje eu li uma matéria muito interessante, no Jornal Extra, onde o jornalista dinamarquês Mikkel Jensen, que sempre sonhou em fazer a cobertura de grandes eventos pelo mundo, passou uns tempos no Brasil, especificamente, dois meses na capital cearense. E, após este período em Fortaleza, desistiu de cobrir a Copa do Mundo FIFA 2014, no Brasil.


No período em que passou no Brasil, o desiludiu. Imagine alguém de fora, da DINAMARCA (que é conhecida como um dos países com melhor qualidade de vida, no mundo) perceber, não só a miséria, o descaso e o profundo descontentamento em que vive o povo brasileiro, mas também o altíssimo nível de podridão, que paira sobre as cabeças dos governantes, como uma nuvem negra...

Mikkel escreveu, assim, em seu facebook: “O sonho se transformou em um pesadelo. Durante cinco meses, fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar”.

"No relato, Mikkel conta que se preparou por dois meses e meio, veio ao país com antecedência, para ter contato com a cultura local e aprender Português. Durante a última estada, no entanto, se deparou com histórias tristes, como a de um menino de rua, Allison, que teria lhe oferecido ajuda.

“Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10 mil e um MasterCard no bolso. Increditável. Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da "limpeza social" que acontece na cidade de Fortaleza”, escreveu.

O caso ganhou repercussão em seu país e veículos da imprensa local abordaram o assunto com destaque. Seu post na rede social já teve mais de 13 mil compartilhamentos. No Brasil, o caso também ganhou repercussão. Embora a maioria dos brasileiros concorde com Mikkel, há também quem defenda o país e se preocupe com a imagem negativa que ele está tendo lá fora. No Facebook, muitas pessoas apoiaram a iniciativa do repórter." (relatos do Extra)

Daí, eu fico pensando... (e eu penso muito). O Brasil, que já faz parte do BRIC (que já nem é mais BRIC), e quer entrar para a elite mundial. É como ser penetra numa festa usando smoking roubado. O Brasil quer entrar na festa pela porta da frente, com o convite forçado por algum lobista. É uma figura linda, mas com péssimos hábitos à mesa. Fala alto, de boca cheia. Smokins impecável, com sapatos sujos...

E, fazendo uma analogia ao pensamento do BBB, vai ser até bom que o Brasil mostre mesmo a sua cara verdadeira, diante do mundo. Quem sabe, assim, com esta obsessão de que o Brasil é o país do futuro, ou que somos o celeiro do planeta, ou mesmo ainda, que somos o melhor país, com o povo mais lindo, o sexo mais gostoso, as praias mais calientes... quem sabe, assim, esta máscara brasileira não caia, em pleno BBB, ops... em plena Copa do Mundo?

Mas, como desgraça nunca vem sozinha, penso que, nuvens muito mais negras estão a caminho. O BBB Mundial, como eu chamo, ainda vai ter um super paredão, como adora dizer o Bial, um paredão de gigantes, onde o Rio de Janeiro está na berlinda...

Nunca, nem mesmo em meus piores pesadelos, sonhei em ver tanta ambição, corrupção, autoritarismo, crueldade... e nunca me assustei tanto em ver como isso tudo tenta, ao custo de bilhões de reais, ser escondido pelos governantes, comprando nossa mídia, para não divulgar o que realmente acontece no Rio, nos preparativos para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Enquanto se desenvolvem projetos irreais (e surreais), que jamais serão dados como legado, à cidade, pessoas morrem de fome nas ruas, na porta dos hospitais... pessoas morrem com a truculência da polícia, nas remoções, morrem nas ruas, dominadas por assaltantes que foram expulsos dos morros.

Por exemplo, na noite da Quarta-feira de Cinzas do último Carnaval. Do lado de fora da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Senador Camará (bairro da Zona Oeste do Rio), mais de dez pessoas esperavam atendimento. Dentro da unidade, apenas um médico. Vinte minutos depois de chegar ao local, o fisioterapeuta Anderson Muzzi Nogueira da Costa (foto abaixo), de 25 anos, conseguiu, até, entrar na UPA. Mas já era tarde demais. O jovem acabou morrendo após infartar. A sua morte foi filmada, jogado na porta da Unidade de Saúde.


Eu poderia escrever aqui, horas e horas, sobre os casos estarrecedores, que têm acontecido nesta cidade, em nome desses eventos... E, o meu contentamento, que na verdade, nem contentamento é direito, é ver que, a comunidade mundial, está vendo tudo isso. 

Os gringos, que são vistos como peixes num aquário, visto como otários, pelos nossos governantes, estão abrindo os olhos. Na verdade, brasileiro sempre achou que gringo fosse bobo. Isso é lenda brasileira. Mas, que bom que não são. Que bom que os otários são os governantes, que acham que vão enganar o mundo em fazer tanta maldade com seu próprio povo, para um único benefício: o próprio!

O BBB do mundo, onde a FIFA e o COI são o Boninho e o Bial (ou o contrário, tanto faz), vai mostrar a verdadeira cara do Brasil ao mundo. Vai mostrar nossos segredinhos, nossos podres... Os turistas esperados já começam a declinar de seus pacotes comprados há dois anos. A desistência é movida pelo medo de serem mal tratados, vitimas de violência.

O Brasil, o Rio... precisam mudar profundamente, antes de pensar em sediar eventos tão importantes. O povo precisa ser atendido, acarinhado, respeitado e valorizado. Somos mulas que levam porrada na montanha, para transportar os badulaques dos governantes. Mas a mula começa a aparecer mais aos olhos de quem virá pra cá...

Noutro dia escrevi sobre isso aqui... e minha certeza está cada vez mais sólida. E, que bom que vamos nos mostrar para o mundo, como somos... não como queremos ser vistos.

Roubado é mais gostoso... É?


Não suporto moralismo. Acho que as pessoas que se cercam dele (ou o usam para defender-se), são as mais covardes que existem.

Nos dias de hoje, coberto de falta de moral, o moralismo é usado de forma frenética, como se fosse um compensador, neutralizador, para o que aí está! Os moralistas, sempre justificam a ação de um, como um sinal do fim dos tempos, exponenciando a gravidade do que disseram ou fizeram.

Moralistas, normalmente, são pessoas sem moral. Apenas a usam emprestado para pintar quadros instantâneos.

Todo ano, a cada final de campeonato, é sempre a mesma coisa. O ganhador ri e o perdedor chora. Risos e choros se alternam numa fração de segundos. Numa hora é um, noutra hora, tudo pode mudar. E mudou.

Falando, especificamente, sobre a final do campeonato carioca de futebol, a "decisão" foi, como sempre, recheada de coisas pitorescas, bem típicas do encontro entre Flamengo e Vasco.

Já falei mil vezes, aqui, em metáforas da vida, usando o futebol. E não vou repetir o discurso... mesmo achando que nada mudou. Pois continuamos a ser avaliados pelo time que torcemos, e não por quem somos. Preconceitos, segregações e todo tipo de discriminação são realizados, todos os dias, nos mais diversos campos da vida. E, talvez até um pouco desanimado, afirmo: isso nunca vai mudar!

Sobre a decisão, especificamente, falando no "futebolês", o Vasco perdeu porque foi pequeno. Isso mesmo! Pequeno. Não que o Vasco seja uma instituição pequena. É gigante. Mas agiu como time pequeno. Quando ganhava, após o gol de Douglas, aos trinta minutos do segundo tempo, desistiu de atacar e se fechou (como todo mundo faz, ou faria). O Flamengo é 'craque' em fazer isso.

Mas, diante de todo calor daquela final que valia muito mais para o Vasco do que para o Flamengo (afinal, o Vasco não vence este 'torneio' há mais de 10 anos), o zagueiro Rodrigo, que marcou o Wallace em todos os escanteios do jogo (que favoreceram ao Rubro-Negro), saiu de campo, de maca, por estar sentindo uma contusão (no joelho), se não me engano.

Vamos pensar com calma.

45 minutos do segundo tempo. O juiz deu quatro minutos de acréscimo. Faltam pouco mais de 180 segundos para terminar o campeonato. O time da colina estava com a vantagem e o Rodrigo, resolveu "usar" a vantagem no placar para deitar no campo e "ganhar" tempo.

Sério, mesmo contundido, o cara já tinha aguentado o jogo todo (pois colocou a mão nos joelhos todo tempo). Custava muito aguentar mais 3 minutinhos?



Caiu em campo por dor insuportável ou foi orientado a ganhar tempo? Ou mesmo, quis ganhar tempo, fazendo cera, por conta própria? Jamais saberemos... e seria irrelevante sabermos, também!

O fato é que, justamente, o Wallace, cabeceou a bola sozinho (veja na foto abaixo), praticamente sem marcação, jogando-a na trave. E daí,  o rebote, em posição irregular, o gol de empate aconteceu, o que jogou por terra todo começo de temporada vascaíno.

O Rodrigo ganhou um minuto, mas o Vasco perdeu bem mais que isso.

Não que o Rodrigo seja o culpado. Afinal, ele poderia estar em campo e tudo ter acontecido da mesmíssima forma. Ou poderia impedir o gol... Isso, meus amigos, jamais saberemos...

Aí, o mais querido, levantou a taça. O Flamengo sagrava-se campeão! Léo Moura (o capitão) deu o pontapé inicial à conquista, levantando a taça, para delírio da massa!

E, numa das muitas declarações pós jogo, o goleiro Felipe, irritadíssimo com o comportamento dos vascaínos, aliviado pela enorme pressão que o elenco passou, após a derrota na Libertadores, soltou o verbo e brincou, dizendo que, ganhar do vasco, é muito bom! E, se foi roubado, foi, ainda, mais gostoso!

Aí, após a declaração do cara, o mundo caiu. Tem gente querendo ingressar na justiça para processar o cara. o Vasco quer até, anular o campeonato e ameaçando tirar o time da próxima edição.

Vou nas redes sociais e lá vem os moralistas cheirando a bunda mal lavada, dizendo que o país é isso e aquilo. Que, por isso que existe corrupção, violência contra a mulher, dengue... e o ca-ce-te!

Todo mundo quer ganhar. Pouca gente devolve o troco, quando o caixa do supermercado erra a conta. Gente que paga pra polícia "aliviar" na dura da blitz, gente que quer ganhar, todo tempo. Assim é o Brasil, assim somos seu povo.

A tal Lei do Gérson, jamais vai deixar de manchar nossa pele, porque somos assim.

O cara pratica o "vantagismo" o tempo todo nas ruas. Aí, chega nas redes sociais e usa a declaração do Felipe como prancha, para surfar de bom moço. Faça-me o favor...

A demagogia, a hipocrisia e o moralismo, são os comportamentos mais podres e vomitivos que uma pessoa pode adotar. Atos que mostram quem são, apenas formigas lutando por sua folha de plana, no chão.

Tenho certeza que, se o Vasco tivesse ganho o jogo (e eu até acho que não seria nada demais), tinham falado da mulambada. Que "Vice" nunca mais e etc... entre outras coisas, que nem posso escrever aqui.

O juiz não errou. Na posição do Marcelo de Lima Henrique, não dava pra ver muita coisa... Quem errou foi o bandeirinha. O lance foi rápido e o cara errou. Avaliando bem a posição do assistente, ele estava "marcando a bola" e não viu, naquele exato segundo, que o Marcio Araújo estava à frente.



Quem errou mesmo foi o Vasco, fazendo cera, faltando três minutos para acabar o jogo. Você pode ficar zangado, triste, irritado. Mas o fato é que, quando existe vantagem contra o tempo, nos tornamos pequenos, buscando ganhar tempo e não, encaram o que vem pela frente... já que, quem está perdendo, tem fome demais.

Na vida, também é assim. Para garantirmos o mínimo, paramos de lutar. Nos contentamos com o pouco. Preferimos correr o risco de perder por omissão, ao morrer lutando.

Na minha opinião sincera, nem liguei para esta conquista. Fiquei triste mesmo em ver o time sair da Libertadores, da forma como foi. O Flamengo precisa mudar muito sua postura, quando joga no Maracanã...

No mais, gente... é só futebol. Tudo é um grande circo que nos mantém na jaula...

Vamos usar esta energia moralista, e politicamente correta, para avaliar nossa própria vida, os políticos e aqueles que interferem, diretamente, em nossas vidas. Sejamos moralistas com os impostos, os pedófilos e estupradores.

O Felipe errou em falar aquilo num microfone. Não foi bom para as crianças... Aquilo repercute negativamente... Mas o Renan , a Dilma, O Paes, o Pezão... essa gente fala muito mais bonito e faz coisa muito mais feia.

Se roubado é mais gostoso, eu não sei. Acho que não. Conquistar as coisas, na base do roubo, não é legal. Até porque, neste caso, não houve roubo... e sim, erro.

Mas, dizem que beijo roubado é legal... é gostoso!

Temos tanta energia para falar de futebol. Usemos esta energia para lutar (de verdade) por dias melhores. Na vida, somos todos iguais, flamenguistas ou vascaínos. Tá difícil levar a vida fora dos campos...

O amor, o lucro e a vitória


Nas inúmeras relações entre as pessoas, nos negócios, no trânsito, na música, no esporte... Nada disso molda ou constrói o nosso caráter. Essas (e outras tantas) coisas, simplesmente, o revelam.

Viver, nada mais é do que servir ao mundo, doar, contribuir... mesmo sendo um mundo imundo, repleto de gente sanguessuga, só interessada no que pode tirar de você. Ainda assim, nossa missão é dar o melhor que há em nós, seja ele, muito, pouco, ou quase nada...

É claro que precisamos ser mais seletivos. pois aquele pensamento antigo do "dar, sem olhar a quem", tornou-se, além de obsoleto, prejudicial à crença da doação. Dada uma boa parte do mundo, vivendo do assistencialismo da simples, básica e rala, recepção. 

Se sua caminhada, rumo ao certo fim, é limpa, reta e generosa com o próximo, não tenho dúvida que sua existência valeu à pena.

Nada acontece sem um motivo e, com o mundo em eterno movimento, tudo na vida é reação. O que conhecíamos como ação, nada mais é do que um reflexo, uma percepção, um sentimento, um estímulo recebido. Mas, esta "antiga" ação, já é, por sim, uma reação, com nascente nalgum canto...

Então, podemos dizer que a bestialidade dos dias atuais é apenas um reflexo do que vemos, sugamos, adquirimos, aprendemos, apreendemos e multiplicamos por aí afora.

Passamos a vida inteira nos protegendo do vazio do esquecimento, do frio da solidão, do escuro da sisudez e do isolamento social... usamos diversos tipos de defesa, que só fazem nos afastar, ainda mais, daquilo que, verdadeiramente, é nosso destino: contribuir para um mundo melhor, para melhores relações entre os seres.

Isso faz de nos, instintivos protetores de nós mesmos, meros egoístas, diante da precariedade que vive o mundo. Se eu falasse em Deus, nesta frase anterior, não creio que discordasse de mim... Pois enquanto nos entrincheiramos (como reação de defesa), também nos isolamos do mundo, deixando de contribuir com ele, seja lá para o que for.

Com nossos cobertores felpudos, nossos carrões blindados e velozes e, principalmente, nosso desejo furioso, por acumular, vestimos capas de ilusão, achando nos proteger (e proteger aos nossos) e gerando defesas artificiais... facilmente derrubadas por ventos, ou mesmo, tempestades. A natureza é sábia demais.

O mundo se transformou numa teia de interesses, onde tudo virou escambo. E nessas intensas (e inúmeras) operações de troca, buscamos sempre o lucro, para, pelo menos, termos a sensação leve do ganhar. Independente se, do "outro lado" (da troca) se ganhou ou se perdeu. Na verdade, tanto faz. Sendo imperativo que ganhemos, supramos nosso desejo e nos satisfaçamos...

Num mundo perdido, a sensação das micro-vitórias que temos, é mero anestésico do ego. Jamais da alma, como se diz!

Trocas de toda natureza, são feitas nos quatro cantos deste redondo e giratório mundo. Um dia, se ganha. Noutro, se perde. Vivemos a era da compensação. Escolhemos a perda que dói menos, para o desapego e visamos o lucro, constantemente. Se, no período, o saldo foi positivo, que se danem as perdas e viva o lucro! Viramos contadores analfabetos da vida! Números viraram o reflexo de nossas atitudes.

A cada geração, somos expostos a uma "radiação comercial" desumana. Todas as teorias de consumo que conhecemos estão sendo implodidas, reconstruídas e/ou renomeadas, diante da força brusca e brutal, a que somos empurrados ao conceito do ter.

Quanto mais parece que temos, menos parece que somos, pois o brilho de cada um, como referencial, passou a ser aquilo que se ostenta, mostra, do que o simples "ser".

É claro que a humanidade ainda não chegou ao ponto alarmante, sem volta. Ainda há muito por andar Mas, como a sociedade (de forma geral) anda muito preguiçosa, não creio em reversão.

Como se diz por aí, muita água ainda passará por debaixo da ponte. 

O mundo parece girar mais rápido. As coisas e sentimentos duram cada vez menos tempo. Tudo parece, cada vez mais, descartável e substituível... E este consumo avançado que vivemos, só tende a aumentar, dia após dia. Nos transformando em meras caixas registradoras ambulantes e falantes.

É assustador pensarmos no mundo que estamos deixando aos nossos filhos, pois, quanto mais vemos a vida passar, quanto mais velhos ficamos, menores são as nossas forças para protegê-los e, a cada dia, precisamos confiar, ainda mais, nos ensinamentos que demos a eles.

Mas, como aprendemos cada vez menos (e pior), com didáticas tortas, regras com exceções e princípios flutuantes, como podemos ensinar com maestria, para que possam ter sucesso moral, em suas vidas?

Que possamos enxergar o amor de uma forma mais simples, menos comercial. Entendamos que nossos egos não se alimentam de nossas conquistas e sim, do quanto somos consumidos (positivamente), pelo mundo, através do que doamos, para sua (do mundo) edificação. Estamos usando nossos escudos de forma incorreta, nos blindando de compartilhar a nós mesmos.

Enquanto isso, nossa marca na terra fica cada vez menos visível e, como ao pó voltaremos, viraremos simples poeira, facilmente removível por uma flanela usada...

Cada um de nós ocupa muitos papéis durante o dia. Somos alunos e professores, numa dinâmica cada vez mais veloz. Somos consumidor e cliente, num feixe de tempo que, muitas vezes, nem percebemos. Somos médico e paciente, num piscar de olhos.

Que saibamos utilizar nossos papéis de forma mais honesta e menos ambiciosa, senão para a sociedade, mas para nós mesmos, fazendo o mundo se desenvolver sem a ganância do "ganhar". 

Nem todo dividendo é lucro. Nem tudo que se ganha é vitória.

Cada vez mais pobres...


Certa vez, ouvi de uma pessoa, que disse não saber se o ator José Wilker estava interpretando um papel ou comentando o Oscar, tamanha era a falta de talento dele...

Hoje, ainda a pouco, vi desta mesma pessoa, escrito no facebook, um profundo lamento pela perda enorme de um artista muito talentoso.

Assim somos nós, os vivos. Volúveis, inconstantes e de opiniões, digamos, flexíveis. Tristes de nós.

Apesar de os atores, nos dias de hoje, serem mais personagens de seus "próprios eus", com pouquíssima diversidade de estilos e técnicas cada vez mais previsíveis... E, ao passo que, as pessoas, na vida real cotidiana, estão com mais caras e papéis. Tudo parece estar invertido... Atores de uma cara só e pessoas de várias caras.

Mas, independentemente da amplitude de seu talento, perdemos mais um colaborador da arte brasileira. Mal ou bem, ele ajudou a nos enriquecer, com atuações memoráveis, por exemplo, em "Bye Bye, Brasil".

Pessoalmente, eu curtia vê-lo em cena, lendo seus escritos e etc.

Mas o momento é mesmo de lamentar mais uma perda, como foi a de Paulo Goulart, há uns dias. Personagens de uma vida rica em diversidade... estamos mais pobres a cada perda.

É certo que agora, surgirão muitos fãs instantâneos do ator. Chorarão lágrimas salgadas, criarão páginas e multiplicarão curtidas,  em sua "homenagem". Muitos vivem assim, de surfar a onda do momento, independente da cor da água, ou se sua origem.

Perdas assim, repentinas, nos fazem refletir, além da fragilidade da vida, a pouca retenção que damos aos nossos momentos de felicidade, que devem ser, cada vez mais, registrados, guardados na nossa caixinha de joias e multiplicados, com a nossa marca, na nossa embalagem.

Nosso coração é um pequeno músculo que, voltemeia, para de funcionar. Aí, já era! Quem deixou sua marca no mundo, vivera para sempre. Quem não deixou, apenas se foi... para sempre!

Vai na Paz, Wilker!!!

O que realmente importa


Noutro dia, conversando com um amigo, conversávamos sobre nada específico e, papo vai, papo vem, falamos das gostosas do BigBrother e etc... ele associou a imagem da menina que eu falei, dizendo que ela acabaria na Playboy, como todas as mulheres vazias e sem conteúdo acabariam.

Se, por um lado, é estranho você pensar nisso. Ou seja, se nada der certo, a menina vai "acabar" virando dançarina, ou posando pelada (ou os dois).

Aí, hoje, ao abrir meu noticiário matinal, vejo que posar para a Playboy não é exclusividade das mulheres que só tem bunda e peito a oferecer. 

Vi que a ativista Ana Paula Maciel, mulher com causa, ativista do Greenpeace, hiper antenada com as questões da vida do planeta, em defesa do nosso mundo, também entrou na onde de mostrar o lado oculto da lua, na revista masculina de maior circulação no país.

Nada contra posar para a Playboy. Aliás, faz ela muito bem, já que deve ter ganho uma grana legal para fazê-lo. Eu acho triste é ver que tudo acaba deste jeito. Apareceu na mídia, vai para A Fazenda e posa nua. Tudo neste pais, infelizmente, parece ter o mesmo desfecho. Não sendo, portanto, uma alternativa para a gostosa do reality.

No fundo, no fundo, o povo quer mesmo é ver a periquita da moça. E a sensação que EU fico é que, na verdade, toda essa onda de ativismo é uma questão de mídia. Pois bastou aparecer na TV, onde sua mãe lutou muito pela sua libertação, quando presa na Russia. 

Lembro que muitos dos programas de TV do Brasil divulgaram amplamente o drama da moça e seus familiares que, por um bom tempo, lutaram, inclusive usando a diplomacia brasileira, para ajudar, na questão.

Diante deste fato, fico pensando também, na questão da mulher... e o teor de seu valor no mundo. Uma revista, com um punhado de dinheiro, fez a moça tirar a roupa. Daqui a pouco está na novela. Isso tudo reduz as questões que tanto a mulher luta, por séculos e séculos, a apenas seu corpo.

Onde está a diferença entre a gostosa do BBB e a ativista? Talvez no tamanho do peito, da bunda. Talvez no "modelo" de depilação que adotaram para as fotos... talvez a "qualidade e bom gosto" do ensaio. Mas, no fundo, no fundo, são mulheres nuas, pagas para mostrar o corpo. Pois todo conteúdo que uma ativista internacional some, diante de páginas nas bancas de jornal.

Não estou julgando ninguém. É apenas um pensamento sobre o valor da mulher (ou o valor que a mulher dá a si mesma).

Lembro da Bandeirinha de futebol, Ana Paula Oliveira, que saiu dos campos de futebol para as páginas das revistas. Ela abandonou o futebol. Virou figurinha fácil nos programas do Faustão, na Fazenda... hoje, apita jogos comemorativos... Na verdade eu nem sei mais dela.

Ela, Ana Paula (a ativista) continuará a ser ela mesma. Seu caráter não mudou. Continua sendo o que sempre foi... mas agora se sabe o que está por baixo de sua roupa. Agora ela terá um Personal Stylist, andará maquiada. Daqui a pouco terá assessoria de imprensa, responderá as questões por nota e ainda será participante de algum reality...

No fundo, tudo parece estar resumido ao corpo dela. De como ela é. Muitos homens terão acesso ao que realmente importa...

Você pode estar lendo isso e dizendo: e daí? É o corpo dela, é a vida dela. Tudo bem. Você tem razão. Eu só estou pensando alto mesmo.