A vida imita a arte, que imita a vida, que imita a arte, que imita mal!

Filmes e novelas nos estragam. Se não estragam a nós mesmos, estragam muita gente. Dizem que a vida imita a arte. Quem já não ouviu esta frase? Você também já deve ter ouvido que, "nada se cria, tudo se copia".

Isso mostra que o mundo, por sua infinita diversidade, culturas, tipos de pessoas, costumes, já inventou de tudo.

Certamente, para cada comportamento, fato ou situação existe, no manual da boa convivência, o que é certo e o que é errado.

Sabe quando você vê um filme, ou produção qualquer no cinema, ou na TV, e você vê uma certa cena maravilhosa e diz: "Só mesmo em filme! Só em novela pra isso acontecer! Pois é sobre isso que eu quero falar aqui.

Com a nossa vida cotidiana tão corrida, sofrida ou cansativa, é difícil nos depararmos com realidades doces. E cada coisa assim, quando acontece raramente na vida real, temos a sensação de viver algo no campo do surreal. A doçura dos filmes e novelas, passa longe da nossa dura realidade.

Mas a vida não imita a arte? Deveria também imitar os comportamentos maravilhosos, românticos e com alto grau de maturidade das produções Hollywoodianas ou Globais.

Pense no filme que quiser. Geralmente, nas comédias românticas, ou filmes de romance mesmo. Aquelas atitudes heróicas, maduras e com imenso altruísmo, bondade extrema, abnegação, que geralmente não se vê na nossa "vida real".

Noutro dia, vi uma cena da novela Insensato Coração, onde a Camila Pitanga trai o Antônio Fagundes, com o Lázaro Ramos. Não acompanho esta novela, mas vi que se tratava de um rompimento de relação, quando ela começou a falar, ele (o Fagundes), entendeu tudo, engoliu a seco a pancada e foi extremamente gentil ao evitar que ela contasse a coisa como realmente foi. Ele reagiu com enorme maturidade, exemplarmente de como um rompimento deveria ser.

Imagine sua namorada(o) dizendo na sua cara que dormiu com outro cara(moça) na noite anterior. Imagine vê-la confessando que tem uma história para viver com ele. E você? Os planos que fizeram? Como encarar esta coisa terrível.

Me diga, de forma totalmente honesta: você daria uma risada gentil, como fez a personagem do Fagundes, na novela? Você mostraria a ela que ela tem mesmo de viver aquele momento com ele e sairia de campo, mesmo sofrendo, numa "nice"? Provavelmente até sairia, mas muita gente faria "o barraco", tomaria presentes, desceria o sarrafo, com choros, gritos e mágoas profundas.

Quantas vezes já saí de salas de cinema, chateado por meu par não fazer detarminada coisa comigo, não ter determinada ação? Quantas vezes fiquei pensativo em ver as famosas letrinhas subirem após cada filme maravilhoso...

Nas novelas, assim como nos filmes, as reações sempre são extremadas, procurando mostrar altos níveis de compreensão, compaixão, generosidade, poder e força de vontade. Se a vida imita a arte, por que o mundo é tão cruel? Por que existe tanta agressão contra as mulheres que terminam um relacionamento.

É até cansativo ver na mídia, manchetes que dizem que o homem, inconformado com o fim do relacionamento, matou, com requintes de crueldade, a mulher que disse amar um dia. Matam, cortam em pedaços, esquartejam à sangue frio, queimam, torturam, somem com o corpo. Descontam esta fúria em filhos, pais, familiares, em ações de pura animalidade (animalidade?).

A vida não imita a arte. As novelas e filmes é que nos estragam, fazendo-nos criar altas expectativas, achando que as pessoas farão o que os príncipes fazem nos filmes.

Também escrevo para teatro, para cinema, e produções de TV. Nos cursos de escrita para dramatização, somos treinados a exponenciar a bondade humana nas relações de amor. Mas, pra quê? Se as reações da vida real jamais copiarão a ficção.

Os filmes mais lindos de amor deveriam ser enquadrados e catalogados no segmento de ficção, e não de romance. Onde está o romance?

O amor é um sentimento de doação, onde vemos sua plenitude apenas nas produções artísticas, passando muito longe da vida real. Vemos que o amor é capaz de mudar vilões, renegados, excluídos. Quem imaginaria que o ogro Shrek seria capaz de ter amor no coração? O amor é um sentimento "transformador", mas ele, na realidade, só se "transforma em dor"!

O sofrimento real dói de verdade, sangra e nos faz morrer em algo por dentro. Grandes decepções nos enterram a esperança de recomeçar. Eu conheço muita gente que se tornou zumbi, após ter esgotado suas tentativas de ser feliz. Pessoas que desistiram de tentar sorrisos largos e vivem na sombra, reclusas e com medo de ver seu coração acelerar.

Costumo dizer que essas coisas de filmes e novelas estragam as pessoas.

Por que a vida real só copia o que é ruim? Os crimes, planos diabólicos, intrigas... Acho que a natureza do homem de verdade é má. Homens (falo em ambos os sexos) são feitos para se destruir. Como a vida é finita e um dia acabará, plantar o amor é para poucos.

Filmes e novelas são formadores de opinião. Ensinam as pessoas a se vestir, espalhando a moda, a decorar suas casas, a usar bordões, lançar produtos, mostrar grandes tramas... mas a amar, filmes e novelas ainda não ensinaram. Pelo menos, as pessoas não aprenderam. Já que o amor que vemos neles dificilmente vemos na vida real.

Às vezes, sentimos determinada coisa dentro de nós e resolvemos imitar a arte, compartilhando com nosso parceiro a determinada "coisa". Mas geralmente, a reação dele será bem diferente da pancada que o Goerge Clooney levou, no filme Amor sem escalas. Assimilando com elegância a porrada de amor. Afinal, George Clooney tem um nome a zelar.

Imagina só se a arte imitasse a vida. Imagine o galã Clooney matando a amante a golpes de enxada e queimando com pneus velhos e enterrando seu corpo aos pedaços, na mata fechada atrás de sua casa, no interior de Guaratinguetá? Não dá, né?

Estamos cansados de ver por aí tanta maldade. Eu, pelo menos, estou! E costumamos encarar a bondade como exceção. Será que não deveria ser o contrário? Será que as pessoas e seus atos ruins disseminarão com muito mais rapidez a que é ruim, e não o que é bom? Qual a verdadeira natureza humana?

Eu continuo agindo, amando e vivendo como se estivesse num filme romântico. Amo até a ultima gota e acho que vou mudar o mundo com amor dentro do peito.

Ninguém é obrigado a ficar comigo, ao meu lado. E eu vou sempre abrir mão do que for melhor para mim, se quem estiver ao meu lado não quiser. Independente da minha vontade. O egoísmo passa longe. Mas eu sempre perco muito com isso. Será que estou errado?

A vida só tem uma tomada, ao contrário das superproduções, pensadas e planejadas por anos. Cada ação linda que pagamos pra ver no cinema, são rodadas 10 vezes para sair conforme pedem nossos sonhos. A vida deveria imitar a arte, mas com apenas uma tomada, fica difícil ser como o poderoso Clooney.

No máximo, conseguimos uma segunda chance para mostrar quem somos, que mudamos. Após choros, velas e muito sofrimento temos a mínima chance de rodar uma nova cena da vida real.